Enquanto Teresina permanece com um sistema de transporte público que figura entre os piores do Brasil, o prefeito Sílvio Mendes (União Brasil) optou pelo caminho fácil: o deboche. Em resposta à ação civil pública movida pela OAB Piauí na segunda-feira, o prefeito não ofereceu soluções concretas — apenas ironias e evasivas que revelam uma administração que confunde gestão com retórica. Quando o prefeito insinuou que a OAB "talvez não tenha acompanhado ou não saiba, tecnicamente, como se conduz uma discussão dessas", ele demonstrou exatamente o que não fazer em política: desprezar quem questiona.
Enquanto isso, o presidente da OAB-PI, Raimundo Júnior, entendeu perfeitamente o jogo. Em entrevista a uma rádio na manhã desta quarta-feira (01), sua resposta foi cirúrgica e precisa: o deboche é a arma dos incompetentes, aquela última trincheira de quem não tem respostas a dar. "Quando se debocha, quando se ironiza, você está desdenhando ao final da população", disse Raimundo Júnior. E tem toda razão. Porque por trás de cada crítica ao transporte público estão milhares de teresindenses que acordam cedo para pegar ônibus lotados, com horários absurdos, em rotas inadequadas.
Se Sílvio Mendes realmente acredita que a solução é "rezar" — como literalmente afirmou — talvez tenha chegado a hora de a população questionar se está rezando pela pessoa certa na prefeitura. A OAB fez seu trabalho, acionando a Justiça. Agora falta ao prefeito fazer o seu: governar de verdade, e não com ironias baratas que apenas ofendem a inteligência de quem já sofre diariamente com a falta de um transporte público digno.
A população de Teresina merece mais que piadas. Merece ações.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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