O vereador Petrus Evelyn decidiu levar para o campo judicial uma investida que, à primeira vista, veste-se de fiscalização, mas que, sob as lentes da realidade política, revela-se um estratagema puramente midiático. Ao impetrar um mandado de segurança no Tribunal de Justiça para obrigar a Assembleia Legislativa (Alepi) a informar sobre a situação funcional da ex-vereadora Thanandra Sarapatinhas — esposa do vice-prefeito Jeová Alencar —, Petrus não buscaria transparência, mas o desgaste de seu alvo preferencial.
A pergunta protocolada é objetiva: Thanandra recebe contracheque da Assembleia? Contudo, a motivação por trás do gesto é de domínio público. Não se vislumbra ali o zelo administrativo ou a guarda republicana do erário. O que se observa é uma perseguição metódica, quase um ritual litúrgico de ataque contra Jeová Alencar, com quem, ironicamente, Petrus divide o mesmo guarda-chuva político.
A teatralidade do movimento expõe a vocação de Petrus para o papel de transfuga. No léxico da política, o termo define aquele que abandona as próprias trincheiras para alvejar aliados. Não se trata de um julgamento moral, mas de um diagnóstico da sua atuação: a cada manobra, o vereador flexibiliza lealdades e recalibra sua narrativa conforme a conveniência do momento. É o comportamento típico de quem já não joga pelo coletivo, mas opera em uma órbita estritamente pessoal.
Na política, a coerência costuma ser um caminho árduo; a deserção, por outro lado, oferece atalhos sedutores. Petrus, ao que tudo indica, já fez sua escolha.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
Ver todos os comentários | 0 |