A segunda fase da Operação Extrema Confiança, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí nessa segunda-feira (22), revelou que o cerco ao grupo investigado por operar aquele que é considerado o maior esquema de pirâmide financeira já registrado no estado do Piauí está longe do fim.
Além do mandado de prisão preventiva expedido contra Francisco das Chagas Chaves da Silva, o "Chico Trader", apontado como mentor do esquema milionário, os investigadores também estão à procura da namorada dele, Kayra Cardoso Guimarães, suspeita de participação nas atividades da empresa Xtreme.
As investigações conduzidas pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) apontam que Kayra atuou diretamente no esquema ao lado de Chico Trader. A suspeita passa a integrar o rol de alvos da operação, que já resultou nas prisões de Elison Araújo Abreu, de 40 anos, e Igor de Sousa Silva, de 28 anos.
À Coluna, o delegado Luciano Alcântara afirmou que Francisco das Chagas segue foragido e é apontado como o principal responsável pelo golpe financeiro.
"Hoje o Chico está foragido e existe uma ordem judicial para sua prisão. Ele não foi localizado, mas a operação não poderia deixar de ser realizada por causa disso", declarou.
Segundo o delegado, o conjunto probatório reunido durante a investigação não deixa dúvidas sobre a dimensão do esquema. A Polícia Civil estima que mais de 300 pessoas tenham sido lesadas, mas ainda não é possível calcular o tamanho do prejuízo às vítimas, face ao volume de investimentos realizados. "Nós não temos dúvidas, de acordo com o que foi levantado no inquérito policial, de que ele lesou financeiramente mais de 300 pessoas, mas ainda não é possível mensurar o volume do prejuízo já causado, neste momento", ressaltou o delegado Luciano Alcântara.
Empresa de fachada e confusão patrimonial
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a forma de funcionamento da Xtreme. Conforme a Polícia Civil, a empresa operava à margem das regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), recebendo diretamente recursos dos investidores sem a intermediação de instituições autorizadas.
Para os investigadores, a Xtreme funcionava como uma empresa de fachada, utilizada para captar recursos e movimentá-los sem qualquer segregação financeira entre patrimônio empresarial e pessoal.
"As investigações apontaram uma grande confusão patrimonial. Não era possível distinguir o que era patrimônio da empresa, lucro ou dinheiro dos investidores", explicou Luciano Alcântara.
A polícia também apura se recursos aportados pelos investidores foram utilizados para despesas pessoais e aquisição de bens particulares pelos administradores do esquema.
Rapidinhas
Chico Trader está fora do país!
A Coluna apurou que o empresário está fora do Brasil e alega temer represálias caso retorne ao país.
Investidores relatam perdas superiores a R$ 300 mil
As vítimas do suposto esquema financeiro atribuído a Francisco das Chagas relatam prejuízos milionários. Uma servidora pública federal afirmou à Coluna que perdeu cerca de R$ 60 mil após investir na Xtreme Trader LTDA. Segundo ela, a empresa prometia rendimentos fixos de 10% ao mês em operações na Bolsa de Valores e, até o desaparecimento do trader, vinha honrando os pagamentos regularmente.
Polícia investiga estelionato e associação criminosa
A investigação conduzida pelo delegado Luciano Alcântara apura a suposta prática dos crimes de estelionato qualificado e associação criminosa. A Polícia Civil suspeita que outras pessoas tenham participado do esquema financeiro ao lado de Francisco das Chagas.
Celulares de empresário investigado pela PF serão periciados
A Justiça autorizou a quebra do sigilo dos aparelhos celulares apreendidos com o empresário José Felipe, investigado pela Polícia Federal. A medida foi determinada no mesmo despacho que concedeu liberdade provisória ao investigado.
PF poderá acessar mensagens e redes sociais
Com a autorização judicial, a Polícia Federal poderá realizar o desbloqueio e a extração de dados dos aparelhos, incluindo mensagens, registros de chamadas, fotografias, vídeos, e-mails e conteúdos armazenados em aplicativos como WhatsApp, Instagram e Facebook.
Análise busca identificar envolvidos no esquema
Segundo a decisão judicial, a perícia nos celulares poderá auxiliar na identificação da origem e do destino dos recursos movimentados, além de apontar possíveis coautores e beneficiários das operações financeiras que estão sendo investigadas pela Polícia Federal.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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