Enquanto o Brasil celebra uma redução global de 20% no desmatamento, o Piauí caminha na contramão, consolidando-se como o segundo estado que mais destruiu vegetação nativa em 2025. O dado mais estarrecedor do RAD 2025, relatório produzido pela Rede MapBiomas, recai sobre Canto do Buriti, no sudoeste piauiense, que assumiu a vergonhosa liderança do ranking municipal de desmatamento em todo o território brasileiro.
O "câncer" ambiental em Canto do Buriti
Em apenas um ano, Canto do Buriti perdeu 20.877 hectares de vegetação nativa — uma área equivalente a quase duas vezes o tamanho da cidade de Paris. O salto é vertiginoso: em 2024, o município ocupava a 12ª posição; agora, lidera o país com uma média de destruição equivalente a 80 campos de futebol por dia. A pressão ambiental não se restringe a um único ponto.
Municípios vizinhos, como Tamboril do Piauí e Pavussu, também figuram no mapa de calor da devastação na Caatinga e no Cerrado, evidenciando um polo de degradação que avança sem freios na região sul do estado.
O Piauí registrou a perda de 150.001 hectares, ficando atrás apenas do Maranhão
O Piauí, como um todo, registrou a perda de 150.001 hectares, ficando atrás apenas do Maranhão no ranking das unidades federativas. Para além dos números, o caso de Canto do Buriti exala o odor da criminalidade organizada. O cenário exposto pelo RAD 2025 revela que a "fronteira agrícola" no Piauí tem servido de fachada para crimes ambientais de larga escala. Quase 90% da área desmatada no país em 2025 apresenta indícios de irregularidade, e o Piauí, com Canto do Buriti à frente, tornou-se o caso emblemático de como a falta de fiscalização e a corrupção fundiária estão dizimando o patrimônio natural do Nordeste.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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