A Justiça Eleitoral deu um passo decisivo na investigação que pode cassar o mandato do prefeito de Brasileira, Ranieri Mazzille. O juiz José Eduardo Couto de Oliveira, titular da 11ª Zona Eleitoral, rejeitou a tentativa da defesa de anular o processo por preclusão e determinou a realização de perícia técnica em provas digitais cruciais. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), movida pelo PT e pelo segundo colocado Francisco Wilson, apura um suposto esquema de abuso de poder político e econômico envolvendo Mazzille, seu vice, Alan Jucie, e a ex-prefeita Carmen Gean.
Ao afastar a preliminar de preclusão, o magistrado pontuou que o rigor formal não deve obstruir a busca pela verdade material e o interesse público na lisura das eleições. A defesa alegava que provas anexadas logo após o protocolo da inicial seriam extemporâneas, argumento que o juiz considerou improcedente, uma vez que a juntada ocorreu ainda na fase postulatória e dentro do prazo decadencial do calendário eleitoral. Com isso, o mérito da denúncia, que aponta o uso da máquina pública para favorecer a sucessão familiar, segue sob análise rigorosa.
O cerne da investigação agora se desloca para a autenticidade de mídias digitais que ligariam empresas de Ranieri Mazzille a obras públicas do município durante a gestão de sua prima, Carmen Gean. Atendendo ao pedido dos investigados e com parecer favorável do Ministério Público, o juiz deferiu a perícia técnica em áudios e capturas de tela (prints). A medida visa garantir a segurança jurídica do processo, verificando se houve qualquer tipo de manipulação ou edição nos arquivos que registram o suposto uso de maquinário privado em canteiros da prefeitura.
As acusações desenham um quadro de promiscuidade administrativa, onde o patrimônio privado e a estrutura estatal teriam se fundido para garantir benefícios eleitorais ilícitos. A denúncia sugere que a promoção política e fraudes em licitações foram os pilares da campanha vitoriosa, configurando o que a acusação chama de "abuso de autoridade". Se confirmadas, as práticas expõem um modelo de gestão que utiliza recursos públicos como extensão de negócios familiares, ferindo os princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade.
O desfecho do caso depende agora do laudo da Polícia Federal de Parnaíba, que tem 30 dias para periciar o material. O resultado será o divisor de águas: poderá consolidar as provas para a cassação dos diplomas ou fortalecer a tese da defesa.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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