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Colunista José Trabulo Júnior
José Trabulo Júnior.
GP1

Trend não é voto

O que decide uma eleição é algo muito mais profundo: posicionamento, coragem e autoridade.

Acompanho a política e percebo um erro recorrente: muitos confundem engajamento nas redes sociais com resultado eleitoral. Curtidas, compartilhamentos e hashtags podem gerar visibilidade, mas trend não é voto. O que decide uma eleição é algo muito mais profundo: posicionamento, coragem e autoridade.

Não há dúvida de que Instagram, TikTok e outras plataformas se tornaram fundamentais na comunicação política. Elas ajudam a espalhar mensagens, criar narrativas e dialogar com públicos jovens. Mas existe uma ilusão perigosa: achar que engajamento digital equivale a apoio nas urnas. Já vimos diversos influenciadores digitais, com milhões de seguidores, fracassarem ao tentar se eleger. Por outro lado, políticos com presença modesta na internet conseguiram vitórias expressivas, porque construíram sua credibilidade na vida real.

O eleitor não vota em quem viraliza, mas em quem se posiciona. É a clareza de ideias que gera confiança. Neutralidade, ou o discurso calculado para agradar a todos, geralmente resulta em fraqueza política. O voto nasce da firmeza em defender causas, mesmo que isso desagrade setores.

As últimas eleições no Brasil trouxeram provas concretas disso. Romeu Zema, em Minas Gerais, começou sem expressão digital, mas venceu ao se apresentar como empresário de perfil técnico, crítico ao sistema político tradicional. Tarcísio de Freitas, em São Paulo, não era fenômeno de redes sociais antes de 2022. Sua autoridade veio da trajetória como ministro da Infraestrutura, onde ganhou imagem de gestor competente. Já Wilson Witzel, no Rio de Janeiro, era um desconhecido até meses antes da eleição de 2018. Mesmo sem base digital, seu discurso de ruptura levou a uma vitória inesperada. Esses casos mostram que o eleitorado valoriza posicionamento e credibilidade acima de curtidas e hashtags.

O cenário internacional reforça essa análise. Nos Estados Unidos, Alexandria Ocasio-Cortez é um dos maiores fenômenos digitais da política, com milhões de seguidores. Mas sua influência ainda não se traduziu em ambições maiores além do Congresso. Já Donald Trump teve forte presença digital em 2016, mas sua vitória só foi possível porque conectou sua mensagem a temas concretos, economia, identidade e segurança. Em 2020, mesmo dominando as redes, foi derrotado por Joe Biden. Esses contrastes revelam que a viralização online não garante permanência nem expansão política.

Mais do que likes, o que o eleitor busca é coragem. Coragem para enfrentar estruturas, denunciar desperdícios, cobrar responsabilidade e defender pautas que toquem na vida real da população. Mas coragem, por si só, também não basta. É preciso autoridade construída no olho no olho: visitas a bairros, conversas em feiras, debates comunitários, presença constante no interior. Essa legitimidade não se mede em métricas digitais, mas em confiança.

Por isso afirmo: trend não é voto. Redes sociais são ferramentas importantes, mas passageiras. O que permanece nas urnas é a confiança no candidato que demonstra posicionamento firme, coragem diante das pressões e autoridade conquistada no contato direto com as pessoas. Curtidas podem dar visibilidade, mas é a credibilidade que decide eleições.

José Trabulo Júnior é consultor de marketing político, jornalista, cientista político, publicitário.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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