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Colunista Marcelle Furtado
Fisioterapeuta. Sua coluna tem foco na “Saúde em Movimento” e aborda cuidados, prevenção e bem-estar físico.
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Liberação miofascial não é força, não é dor e não é tortura, é ciência

Se a técnica está baseada em força excessiva, sofrimento e dor intensa, algo está errado.

Muitas pessoas ainda associam a liberação miofascial à dor extrema, existe um mito de que, para "soltar" o corpo, é preciso força, pressão excessiva é quase uma "luta" contra o tecido, acreditando que liberação miofascial precisa doer para funcionar. Quanto mais força o fisioterapeuta fizer, melhor será o resultado, mas a ciência moderna nos traz uma notícia libertadora: o corpo não muda pela agressão, mas sim pela segurança.

Se a técnica está baseada em força excessiva, sofrimento e dor intensa, algo está errado. E sim, isso costuma indicar um profissional desatualizado cientificamente. Durante anos, acreditou-se que as mãos do terapeuta ou o rolo de espuma quebravam mecanicamente as aderências da fáscia, os famosos “nós”. No entanto, estudos de biomecânica mostram que a fáscia humana é incrivelmente resistente, para alterar permanentemente a estrutura de um tecido tão denso apenas com força mecânica, precisaríamos de pressões sobre-humanas, que causariam danos severos à pele e aos vasos sanguíneos. Vamos entender isso de forma simples. Não é o músculo que manda, é o sistema nervoso.

Se a liberação miofascial fosse apenas “amassar músculo”, bastaria apertar cada vez mais forte. Mas o corpo humano não funciona como massa de pão. A fáscia, esse tecido que envolve músculos e articulações, é resistente. Ela não é quebrada, não é rasgada e não é “descolada” com a mão. O que realmente muda com a liberação miofascial é:

- a percepção de dor

- o nível de proteção do corpo

- o estado do sistema nervoso

Ou seja: o principal efeito não é mecânico, é neurofisiológico.

Dor não significa tratamento eficaz

Quando uma técnica causa muita dor, o corpo entende isso como ameaça. E o que o corpo faz diante da ameaça?

- Se defende.

- Contrai mais.

- Aumenta a sensibilidade.

- Entra em estado de alerta.

Isso vai totalmente contra o objetivo da liberação miofascial. Dor intensa não libera. Dor intensa trava.

O que a ciência mostra hoje

Estudos mais recentes mostram que a liberação miofascial bem aplicada:

- reduz a hipersensibilidade do corpo

- diminui o estado de alerta do sistema nervoso

- melhora o movimento sem agressão

- ajuda o corpo a sair do “modo defesa”

Quando o corpo se sente seguro, ele para de se proteger o tempo todo. E quando essa proteção excessiva diminui:

- a dor reduz

- o movimento flui melhor

- a respiração muda

- o corpo relaxa de verdade

Liberação miofascial não é luta contra o corpo

Uma boa liberação miofascial não é briga.

Não é vencer o tecido “na marra”.

Não é aguentar dor como se fosse prova de resistência. Ela é: escuta, respeito e comunicação com o sistema nervoso. O fisioterapeuta não está “forçando” o corpo a mudar, ele está convidando o corpo a sair do estado de defesa.

Um alerta importante para quem é paciente

Se durante a liberação miofascial você sente:

- dor intensa e prolongada

- sensação de tortura

- medo ou tensão extrema

- necessidade de “aguentar firme”

Isso não é sinal de tratamento moderno nem baseado em ciência.

Hoje sabemos que força excessiva não melhora o resultado, muitas vezes, piora. Você tem o direito de procurar um fisioterapeuta:

- atualizado cientificamente

- que entenda dor além do músculo

- que respeite o seu sistema nervoso

Liberação miofascial não é sobre força. É sobre segurança. Quando o corpo se sente seguro, ele para de se defender. E é nesse momento que a dor diminui, o movimento melhora e o tratamento realmente acontece.

Dor não é sinal de eficácia. Ciência é.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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