Muitas pessoas ainda associam a liberação miofascial à dor extrema, existe um mito de que, para "soltar" o corpo, é preciso força, pressão excessiva é quase uma "luta" contra o tecido, acreditando que liberação miofascial precisa doer para funcionar. Quanto mais força o fisioterapeuta fizer, melhor será o resultado, mas a ciência moderna nos traz uma notícia libertadora: o corpo não muda pela agressão, mas sim pela segurança.
Se a técnica está baseada em força excessiva, sofrimento e dor intensa, algo está errado. E sim, isso costuma indicar um profissional desatualizado cientificamente. Durante anos, acreditou-se que as mãos do terapeuta ou o rolo de espuma quebravam mecanicamente as aderências da fáscia, os famosos “nós”. No entanto, estudos de biomecânica mostram que a fáscia humana é incrivelmente resistente, para alterar permanentemente a estrutura de um tecido tão denso apenas com força mecânica, precisaríamos de pressões sobre-humanas, que causariam danos severos à pele e aos vasos sanguíneos. Vamos entender isso de forma simples. Não é o músculo que manda, é o sistema nervoso.
Se a liberação miofascial fosse apenas “amassar músculo”, bastaria apertar cada vez mais forte. Mas o corpo humano não funciona como massa de pão. A fáscia, esse tecido que envolve músculos e articulações, é resistente. Ela não é quebrada, não é rasgada e não é “descolada” com a mão. O que realmente muda com a liberação miofascial é:
- a percepção de dor
- o nível de proteção do corpo
- o estado do sistema nervoso
Ou seja: o principal efeito não é mecânico, é neurofisiológico.
Dor não significa tratamento eficaz
Quando uma técnica causa muita dor, o corpo entende isso como ameaça. E o que o corpo faz diante da ameaça?
- Se defende.
- Contrai mais.
- Aumenta a sensibilidade.
- Entra em estado de alerta.
Isso vai totalmente contra o objetivo da liberação miofascial. Dor intensa não libera. Dor intensa trava.
O que a ciência mostra hoje
Estudos mais recentes mostram que a liberação miofascial bem aplicada:
- reduz a hipersensibilidade do corpo
- diminui o estado de alerta do sistema nervoso
- melhora o movimento sem agressão
- ajuda o corpo a sair do “modo defesa”
Quando o corpo se sente seguro, ele para de se proteger o tempo todo. E quando essa proteção excessiva diminui:
- a dor reduz
- o movimento flui melhor
- a respiração muda
- o corpo relaxa de verdade
Liberação miofascial não é luta contra o corpo
Uma boa liberação miofascial não é briga.
Não é vencer o tecido “na marra”.
Não é aguentar dor como se fosse prova de resistência. Ela é: escuta, respeito e comunicação com o sistema nervoso. O fisioterapeuta não está “forçando” o corpo a mudar, ele está convidando o corpo a sair do estado de defesa.
Um alerta importante para quem é paciente
Se durante a liberação miofascial você sente:
- dor intensa e prolongada
- sensação de tortura
- medo ou tensão extrema
- necessidade de “aguentar firme”
Isso não é sinal de tratamento moderno nem baseado em ciência.
Hoje sabemos que força excessiva não melhora o resultado, muitas vezes, piora. Você tem o direito de procurar um fisioterapeuta:
- atualizado cientificamente
- que entenda dor além do músculo
- que respeite o seu sistema nervoso
Liberação miofascial não é sobre força. É sobre segurança. Quando o corpo se sente seguro, ele para de se defender. E é nesse momento que a dor diminui, o movimento melhora e o tratamento realmente acontece.
Dor não é sinal de eficácia. Ciência é.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
Ver todos os comentários | 0 |