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Colunista Marcelle Furtado
Fisioterapeuta. Sua coluna tem foco na “Saúde em Movimento” e aborda cuidados, prevenção e bem-estar físico.
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O corpo "encolheu"? Por que a vida moderna está sufocando a sua fáscia

Existe um mito de que apenas quem carrega peso ou corre maratonas precisa de liberação miofascial.

Vivemos em uma era de alta performance e baixa recuperação. Nunca fomos tão produtivos e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão rígidos. Se você acorda sentindo que seu corpo é um número menor do que você, ou se aquela dor nas costas parece um "nó" que nunca desata, o problema pode não estar no seu músculo, mas no tecido que abraça todos eles: a fáscia.

O tecido das nossas emoções

Imagine uma teia de aranha tridimensional que envolve cada músculo, nervo e órgão do seu corpo. Essa é a fáscia. Mas, ao contrário do que se pensava antigamente, ela não é apenas um "embrulho". A ciência moderna revelou que a fáscia é, na verdade, o nosso maior órgão sensorial. Ela sente o seu estresse antes mesmo de você perceber que está estressado.

Quando vivemos no modo "sobrevivência", prazos apertados, sono picado, excesso de telas e ansiedade, o sistema nervoso envia sinais constantes de alerta. A resposta da fáscia? Ela se torna densa, perde água e "gruda". É o corpo criando uma armadura biológica para te proteger de um colapso que ele sente que está chegando.

Do atleta ao sedentário: ninguém escapa

Existe um mito de que apenas quem carrega peso ou corre maratonas precisa de liberação miofascial. A realidade clínica mostra o oposto.

O Sedentário: Sofre com a "estagnação". A falta de movimento faz com que as camadas da fáscia percam o deslizamento. É a famosa sensação de estar "enferrujado".

O Atleta: Sofre com a sobrecarga. O esforço repetitivo sem a devida sinalização de relaxamento cria pontos de gatilho que limitam a performance.

Em ambos os casos, o corpo está gritando por uma pausa inteligente.

Fisioterapia Baseada em Evidências: Menos força, mais informação

Como fisioterapeuta, vejo muitos pacientes que acreditam que a liberação miofascial precisa ser uma sessão de tortura para funcionar. "Se não doer, não está soltando", dizem alguns.

Isso é um erro científico.

A Fisioterapia Baseada em Evidências (PBE) nos mostra que a fáscia é informada, não "quebrada". Quando usamos força excessiva, o corpo entende como uma nova agressão e contrai ainda mais como defesa. A verdadeira liberação miofascial é um diálogo com o sistema nervoso. É dar ao corpo a segurança necessária para que ele decida relaxar.

Por que liberar agora?

Investir em liberação miofascial não é um luxo estético; é manutenção básica de saúde em um mundo frenético. Ao liberar a fáscia, nós:

1. Regulamos o sistema nervoso: Baixando os níveis de cortisol (hormônio do estresse).

2. Melhoramos a biomecânica: O movimento volta a ser fluido e gasta menos energia.

3. Prevenimos lesões: Um tecido maleável absorve impactos; um tecido rígido rompe.

O mundo não vai parar para você descansar, mas você pode ensinar o seu corpo a não carregar o peso do mundo o tempo todo. Afinal, saúde em movimento é, acima de tudo, ter um corpo que não te limita

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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