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No Rio, 92 foram recolhidos das cracolândias desde junho

Dessas, 82 estão internados em quatro abrigos, que têm capacidade para 145 pacientes.

Uma portaria da Secretaria Municipal de Assistência Social, de 30 de maio, regulamenta o acolhimento compulsório de crianças e adolescentes flagradas com crack na capital fluminense. Entre 3 de junho e 19 de julho, 92 foram recolhidos em operações nas cracolândias. Dessas, 82 estão internados em quatro abrigos, que têm capacidade para 145 pacientes.

A medida polêmica recebeu o apoio da Vara da Infância e Juventude e dos promotores que atuam na área. E também mereceu críticas de especialistas e defensores de direitos humanos. "O Ministério Público entende que não se está ferindo o direito de ir e vir. Essas crianças não vêm e vão; elas vagam pelas ruas, permanecem nas cracolândias", disse, à época, a promotora Ana Cristina Ruth Macedo.

A Ordem dos Advogados do Brasil e conselhos profissionais de Enfermagem, Nutrição e Psicologia fizeram visitas aos centros de acolhimento. Identificaram a falta de enfermeiros (só há técnicos de enfermagem), ausência de um departamento de enfermagem responsável por ministrar os medicamentos controlados, prescrição médica semanal, em vez de diária, entre outras irregularidades.

O relatório, encaminhado ao Ministério Público, critica a metodologia de acolhimento compulsório, que, segundo o documento, "privilegia uma ação de defesa da ""ordem pública"", de natureza higienista travestida de assistência social". O protocolo de abordagem da Secretaria prevê que um médico ateste a dependência química da criança ou adolescente antes de encaminhá-lo ao acolhimento compulsório.

Os pacientes passam por avaliação clínica e nutricional. Durante o tratamento, durante as crises de abstinência, são administrados ansiolíticos. Nos casos mais graves, a criança recebe calmantes injetáveis. Em média, depois de 45 dias a criança está apta à reinserção familiar, informa a secretaria. Nos casos mais graves, leva de oito a dez meses para a recuperação total.

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