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Moro suspeita de ligação entre esquema de corrupção e homicídio

O despacho está no mesmo documento em que que foi autorizada a prisão temporária de Ronan Maria Pinto.

O juiz federal Sérgio Moro revelou ontem (1º) em despacho, que o suposto esquema de corrupção investigado na 27ª fase da Lava Jato em que envolve o empresário Ronan Maria Pinto pode ter ligação com o homicídio do ex-prefeito de Santo André (PT-SP), Celso Daniel, em janeiro de 2002.

Imagem: VejaEmpresário Ronan Maria Pinto(Imagem:Veja)Empresário Ronan Maria Pinto

A suspeita foi levantada após acusações do Ministério Público Federal (MPF) contra o empresário que é condenado pelos crimes de extorsão e corrupção ativa. Ele foi acusado de cometer fraudes no sistema de transportes da cidade nos anos de 2001 e 2002, na mesma época em que Celso Daniel era prefeito. “É possível que este esquema criminoso tenha alguma relação com o homicídio, em janeiro de 2002, do então prefeito, o que é ainda mais grave. Se confirmado o depoimento de Marcos Valério, de que os valores lhe foram destinados em extorsão de dirigentes do Partido dos Trabalhadores, a conduta é ainda mais grave, pois, além da ousadia na extorsão de, na época, autoridades da elevada administração pública, o fato contribuiu para a obstrução da Justiça e completa apuração dos crimes havidos no âmbito da Prefeitura de Santo André”, relatou Moro.

De acordo com informações apuradas pelo G1, o trecho em que a “possível relação” é citada está no mesmo documento em que a foi autorizada a prisão temporária de Ronan Maria Pinto, na fase batizada de “Operação Carbono 14”- escolhido porque faz referência a procedimentos utilizados pela ciência para a investigação de fatos antigos. Além dele, o ex-secretário do PT, também foi preso provisoriamente.

Ronan é proprietário do jornal "Diário do Grande ABC" e de empresas do setor de transporte e coleta de lixo. Em 2015, ele foi condenado por envolvimento em um esquema de cobrança de propinas na prefeitura do município citado, ainda segundo o G1. Por meio de nota, ele nega “ter relação com os fatos mencionados e diz estar sendo vítima de uma situação que, com certeza, agora poderá ser esclarecida de uma vez por todas". Ele ainda acrescenta que está disponível para prestar esclarecimentos.

Operação Carbono 14
A força-tarefa da Lava Jato investiga nesta fase o esquema de desvio de dinheiro decorrente da gestão fraudulenta do Banco Schahin. No dia 14 de dezembro, o amigo de Lula e pecuarista José Carlos Bumlai, confessou à PF que o PT pegou R$ 12 milhões emprestados do banco através de “laranjas” para financiar campanhas eleitorais do partido. Os crimes investigados nesta fase são corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, extorsão, fraude e falsidade ideológica.

De acordo com os policiais, há evidências de que uma quantia desse empréstimo foi destinada a um empresário carioca por articulação do PT. "A partir de diligências, descobriu-se que, do valor total emprestado de R$ 12 milhões a Bumlai, pelo menos R$ 6 milhões tiveram como destino o empresário do município de Santo André (SP), Ronan Maria Pinto. Como ressaltou a decisão que decretou as medidas cautelares, a fiar-se no depoimento dos colaboradores e do confesso José Carlos Bumlai, os valores foram pagos a Ronan Maria Pinto por solicitação do Partido dos Trabalhadores”, declarou a força-tarefa.


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