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Barroso vota pela descriminalização do aborto até 12ª semana de gestação

O voto de Barroso é o último posicionamento do magistrado enquanto ministro do Supremo Tribunal Federal.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou a favor da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Com o voto, registrado nesta sexta-feira (17), o placar do julgamento está em 2 a 0 para descriminalizar a prática.

O voto de Barroso é o último posicionamento do magistrado enquanto ministro do STF, visto que ele se despediu da Corte pedindo aposentadoria antecipada, após passar 12 anos no cargo.

Foto: Gustavo Moreno/SCO/STFMinistro Luís Roberto Barroso
Ministro Luís Roberto Barroso

Barroso votou no julgamento de uma ação protocolada em 2017 pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em 2017. A sigla defende que a interrupção da gravidez até a 12ª semana deixe de ser crime, alegando que a criminalização afeta a dignidade da pessoa humana, principalmente de mulheres negras e pobres.

No entendimento do ministro, a interrupção da gestação deve ser tratada como uma “questão de saúde pública”, e não na esfera penal. “A discussão real não está em ser contra ou a favor do aborto. É definir se a mulher que passa por esse infortúnio deve ser presa. Vale dizer: se o Estado deve ter o poder de mandar a polícia, o Ministério Público ou o juiz obrigar uma mulher a ter o filho que ela não quer ou não pode ter, por motivos que só ela deve decidir. E, se ela não concordar, mandá-la para o sistema prisional”, frisou.

Barroso acrescentou ainda que a proibição penaliza mulheres pobres e que não é favorável ao aborto, mas entende que a restrição não impede que a prática ocorra. “O papel do Estado e da sociedade é o de evitar que ele aconteça, dando educação sexual, distribuindo contraceptivos e amparando a mulher que deseje ter o filho e esteja em circunstâncias adversas. Deixo isso bem claro para quem queira, em boa-fé, entender do que se trata verdadeiramente”, completou.

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