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PGR investiga servidores que criticaram penduricalhos milionários

Segundo a ANPR, as mensagens em grupos continham informações consideradas falsas.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma sindicância para investigar servidores que compartilharam críticas internas sobre o pagamento de penduricalhos milionários a procuradores do Ministério Público Federal (MPF). As mensagens circularam em grupos de WhatsApp usados por membros do órgão e, segundo a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), continham informações consideradas falsas. O caso foi divulgado nesta quinta-feira (23) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A ANPR enviou um ofício à cúpula do MPF pedindo providências diante das críticas, que apontavam supostos benefícios milionários concedidos aos procuradores. A PGR acatou o pedido e instaurou o procedimento investigativo, que será conduzido pelas Secretarias de Tecnologia, Polícia e Perícia. O prazo inicial para conclusão da apuração é de 60 dias.

Foto: Antonio Augusto/MPFProcuradoria-Geral da República
Procuradoria-Geral da República

A investigação foi classificada como sigilosa em grau três, limitando o acesso ao processo apenas a procuradores e servidores autorizados. O servidor Cleuber Filho foi designado para conduzir a sindicância. De acordo com a ANPR, o conteúdo das mensagens teria ultrapassado os limites da crítica legítima e pode ter violado normas de conduta funcional relacionadas à ética e lealdade institucional.

Entre as mensagens investigadas está a denúncia de um suposto benefício de R$ 1 milhão pago a cada procurador. O valor, apesar de contestado pela associação, coincide com pagamentos retroativos autorizados pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho. Esses repasses são referentes a licenças compensatórias acumuladas por membros da instituição.

A autorização dos pagamentos ocorreu no mesmo dia em que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proibiu, administrativamente, repasses retroativos ao Judiciário. Mesmo assim, a ANPR afirma que o material divulgado seria “manifestamente falso” e prejudicial à imagem do MP. A entidade destacou ainda que desconhece os responsáveis pelas publicações, mas suspeita de servidores por causa do teor dos conteúdos.

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