A Polícia Federal prendeu o empresário André Gonçalves Mariano, dono da empresa Life Tecnologia Educacional, sob suspeita de corrupção e fraudes em contratos firmados com prefeituras do interior de São Paulo. Conforme as investigações, os acordos firmados pela empresa somam R$ 111 milhões e apresentam indícios de superfaturamento e repasses ilegais a servidores públicos e lobistas.
A operação, batizada de Coffee Break, revelou que a Life vendia livros escolares com preços até 35 vezes maiores do que o valor pago por unidade, o que configura possível fraude em licitações e desvio de recursos públicos. A PF afirma que o esquema envolvia corrupção, tráfico de influência e direcionamento de contratos.
Além de Mariano, foram presos o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César, os secretários de Educação de Hortolândia e Sumaré, Fernando Gomes de Moraes e José Aparecido Ribeiro Marin, respectivamente, além de dois doleiros.
Lucro milionário
Relatórios obtidos pela Polícia Federal mostram que a Life comprava livros por valores entre R$ 1 e R$ 5 e os revendia a prefeituras por até R$ 80 cada. Em dezembro de 2021, a empresa vendeu 2.264 exemplares do livro A Garota que Queria Mudar o Mundo por R$ 41,50 a unidade, apesar de ter adquirido cada exemplar por R$ 2,56, um lucro 16 vezes superior ao valor de compra.
As investigações apontam que a empresa não possuía estrutura compatível com o volume financeiro movimentado e que pode ter embolsado pelo menos R$ 50 milhões com as vendas superfaturadas.
Sinais de fraude e rede de influência
A PF identificou ainda irregularidades na cronologia das transações. Em alguns casos, a Life só adquiriu os livros dois dias após fechar a venda com a prefeitura, o que indica possível simulação de estoque para vencer processos licitatórios.
Os investigadores também detectaram pagamentos a operadores políticos que atuariam em diversas cidades paulistas. Entre os nomes citados nos relatórios estão uma ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um ex-sócio de um dos filhos do presidente.
Para a Polícia Federal, o empresário fazia parte de uma “rede complexa” de influência com o objetivo de manipular agentes públicos, direcionar contratos e obter vantagens ilícitas em licitações. As investigações seguem em andamento.
Izabella Furtado
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