O governo do presidente Lula gastou R$ 49 milhões em publicidade on-line nas redes sociais entre janeiro e outubro deste ano, conforme dados da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom). A quantia representa mais do que o triplo do valor destinado ao mesmo período de 2024, quando foram gastos R$ 15 milhões nas plataformas da Meta, do TikTok e do Kwai.
Entre as empresas, o Google registrou um aumento expressivo nos ganhos provenientes de publicidade governamental: de R$ 8,3 milhões em 2024 para R$ 49,7 milhões somente em 2025. Não houve registro de anúncios no X, antigo Twitter, tanto em 2024 quanto em 2025. Em 2023, a plataforma arrecadou R$ 5 milhões em publicidade federal.
Informações já divulgadas apontam uma alta significativa no orçamento da Secom para campanhas digitais: de R$ 51 milhões em 2024 para R$ 107 milhões em 2025. As redes sociais representavam 14% desses gastos no ano passado e agora passaram a responder por 33%.
O relatório parcial revelou que um terço dos recursos aplicados pela Secom em veiculações foi destinado à internet. Além disso, houve concentração dos investimentos: as cinco principais empresas passaram de 49% para 85% do total direcionado à publicidade digital do governo.
O aumento dos gastos com divulgações nas redes sociais coincide com a posse do novo secretário de Comunicação do governo, Sidônio Palmeira. A mudança ocorreu logo após a polêmica envolvendo uma possível taxação do Pix, quando o deputado Nikolas Ferreira, em um único vídeo contrário à proposta, alcançou 339 milhões de visualizações. O alcance e a narrativa gerada pelo vídeo de Nikolas revelaram uma fragilidade na comunicação do governo.
Lilian Aragão
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