Na mesma linha da estratégia já adotada pelo STF e pelo PT, o Governo Federal tem intensificado o investimento em influenciadores digitais para melhorar sua imagem e ampliar o alcance entre diferentes públicos.
No segundo semestre, o Governo Lula firmou parcerias com produtores de conteúdo de diversas regiões e estilos, que compartilham um objetivo em comum além de divulgar informações sobre programas federais: exaltar a esquerda e criticar a direita, independentemente do contexto.
A estratégia tem resultado em investimentos expressivos nas redes sociais. Atualmente, o Governo Federal é o maior contratante de impulsionamento de publicações sobre política na Meta, empresa dona do Facebook e do Instagram. Apenas em setembro, foram gastos R$ 8,4 milhões em anúncios, um aumento de 360% em relação aos R$ 4,7 milhões investidos nos 60 dias anteriores.
Entre os influenciadores contratados, há nomes que tradicionalmente não abordam temas políticos. Com humor, esses criadores de conteúdo relatam aspectos da cultura local, do cotidiano e fazem reflexões sobre relacionamentos, conquistando públicos específicos. É o caso do publicitário Paulo Victor “PV” Freitas, que produz conteúdo sobre o Norte do país, e da atriz Isis Vieira, conhecida por retratar o cotidiano nordestino.
Outros influenciadores, por sua vez, focam em análises sobre temas políticos e econômicos. Eles comentam as principais polêmicas do noticiário em tom analítico, apresentando informações, contexto histórico e opiniões — embora nem sempre deixem explícita a sua posição ideológica. Entre os criadores com conteúdo político, a maioria já demonstrava apoio ao governo antes das parcerias ou mantinha um discurso crítico em relação à direita.
Saiba quem são os influenciadores
Os influenciadores têm se destacado nas redes sociais por participar de campanhas oficiais do governo federal, como o Luz para Todos e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Entre eles estão Lauany Schultz, Carolline Sardá, Laura Sabino, Thiago Foltran, Beatris Brantes e Martina Giovanetti.
A advogada Lauany Schultz, que soma 170 mil seguidores, iniciou a carreira com conteúdos sobre feminismo e livros, mas ganhou projeção após vídeos criticando igrejas e influenciadores religiosos. Atualmente, é parceira do ICL e do governo.
A publicitária Carolline Sardá, de 28 anos, começou com postagens educativas sobre direitos das mulheres e, recentemente, passou a produzir vídeos explicando polêmicas políticas do dia, o que lhe rendeu contratos para divulgar programas federais.
Já Laura Sabino, autodeclarada marxista e com mais de 600 mil seguidores, ficou conhecida por defender abertamente o socialismo e a revolução cubana. Ela também tem parcerias com o MST e sindicatos ligados à esquerda.
O criador Thiago Foltran mantém um perfil abertamente pró-Lula e pró-governo, com vídeos críticos à direita e a figuras como Nikolas Ferreira.
A atriz Beatris Brantes, antes voltada ao humor e à publicidade, passou a fazer ações com o governo após visitar o STF e viralizar nas redes.
Por fim, Martina Giovanetti, estudante de Relações Internacionais, explica temas de geopolítica e economia em linguagem simples, sempre com viés favorável ao governo. Ela também participou de ações com o Planalto e lançou um e-book sobre o Brics.
Com colaboração do repórter Leandro Soares
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