Uma pesquisa realizada pela Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, mostrou que 60% dos moradores do Rio de Janeiro acreditam que a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre usuários e traficantes reflete de fato seu posicionamento. A declaração foi dada durante viagem à Indonésia, quando Lula afirmou que “os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”. Após a repercussão negativa, o presidente recuou, dizendo ter sido “uma frase mal colocada”.
Mesmo com a retratação, apenas 33% dos entrevistados consideraram o episódio um mal-entendido, enquanto 7% não souberam ou preferiram não responder. O levantamento, divulgado neste domingo (2), também mostrou que 60% avaliam negativamente a atuação do Governo Lula na área de segurança pública. Já 22% classificaram como regular e 18% como positiva.
A pesquisa foi feita logo após a Operação Contenção, deflagrada pelo Ministério Público e pelas polícias do Rio de Janeiro na última terça-feira (28), contra integrantes do Comando Vermelho. A ação resultou em 121 mortes — sendo 117 civis e quatro policiais —, tornando-se a operação mais letal da história do estado. Além disso, 113 pessoas foram presas e mais de 100 fuzis apreendidos.
A operação gerou forte polarização política. Setores da esquerda classificaram a ação como uma “chacina” e acusaram o governador Cláudio Castro (PL) de explorar o episódio politicamente. Já grupos de direita comemoraram o resultado, defendendo o endurecimento no combate ao crime. Nas redes sociais, o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) chegou a posar com uma camisa com os dizeres “chacina não, faxina”, enquanto o advogado Fábio Pagnozzi, que defende a deputada Carla Zambelli (PL-SP), publicou uma arte com a frase “Cláudio Castro mandou mais de 100 vagabundos para o colo do capeta”.
Ficha técnica
Segundo a Quaest, a pesquisa ouviu 1.500 pessoas presencialmente entre os dias 30 e 31 de outubro, em todo o estado do Rio de Janeiro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Rodrigo Mendes
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