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Lula critica Estados Unidos em cúpula na Colômbia, mas não visita vítimas de tornado no Brasil

Durante o evento, o presidente criticou indiretamente os Estados Unidos, sem mencionar Donald Trump.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não visitou pessoalmente as vítimas do tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, mas encontrou uma brecha na agenda em Belém, onde se preparava para a COP30, para viajar à Colômbia neste domingo (09). Lula participou da cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e União Europeia, em Santa Marta, para expressar “solidariedade” ao Governo da Venezuela.

Durante o evento, o presidente criticou indiretamente os Estados Unidos, sem mencionar Donald Trump, e destacou a importância da América Latina como uma região de paz. “Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais. Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional”, afirmou.

Foto: Reprodução/YoutubeLula
Lula

O encontro contou com representantes dos 27 países da União Europeia e das 33 nações da Celac, mas teve ausências significativas, incluindo a presidente da UE, Ursula Von der Leyen, e os presidentes do Uruguai, México e Argentina. Lula chegou a reconhecer o baixo comparecimento em seu discurso: “Nossas cúpulas se tornaram um ritual vazio, do qual se ausentam os líderes regionais”.

Analistas apontam que o principal objetivo da viagem foi defender o governo do ditador Nicolás Maduro, mas Lula evitou menções diretas ao ditador venezuelano. Ele também comentou sobre segurança pública, sem citar o Brasil: “É preciso reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando seu financiamento e eliminando o tráfico de armas.”

A viagem à Colômbia durou pouco mais de oito horas, sendo que Lula permaneceu apenas três horas e 35 minutos em Santa Marta, fazendo um discurso de cinco minutos. Ele retornou a Belém no mesmo domingo para participar dos eventos preparatórios da COP30, que ocorre de 10 a 21 de novembro.

Enquanto isso, o presidente demonstrou solidariedade às vítimas do tornado nas redes sociais e enviou a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para representar o Governo Federal no Paraná. O tornado deixou seis mortos, cerca de mil desabrigados e destruiu 90% da cidade, segundo autoridades locais.

O episódio também se insere em uma estratégia de comunicação digital do Governo Federal. De janeiro a outubro, R$ 69 milhões foram gastos em publicidade online, 110% a mais que no mesmo período de 2024, incluindo campanhas institucionais e contratação de influenciadores para ampliar o alcance das mensagens.

Além da pauta de solidariedade e segurança, a cúpula abordou negociações comerciais, como a retomada do livre comércio entre Mercosul e União Europeia, e a escalada de tensão entre Estados Unidos e Venezuela. Washington intensificou a presença militar no Caribe e acusa Maduro de liderar o Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista.

Segundo Lula, “o problema que existe na Venezuela é político e deve ser resolvido na política”, declaração agradecida pelo governo venezuelano. A Colômbia ocupa a presidência da Celac em 2025, sucedendo Honduras, e em 2026 será a vez do Uruguai. O Brasil retomou sua participação na cúpula em janeiro de 2023, após três anos de ausência.

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