Após a Câmara dos Deputados aprovar, na noite de quarta-feira (10), a suspensão por seis meses do mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) usou o X para criticar aliados de direita que votaram a favor da medida, classificando a situação como “o ápice da ignorância da guerra política” ao ver “gente de direita com pena de comunista”.
O caso ganhou destaque após o plenário aprovar a emenda do PSOL, que substituiu a cassação e a inelegibilidade por oito anos — inicialmente recomendadas pelo Conselho de Ética — por uma suspensão de seis meses. A medida recebeu 318 votos a favor e 141 contrários, garantindo a penalidade alternativa.
Sete deputados do PL, partido que defendia oficialmente a cassação, divergiram do posicionamento da sigla: Altineu Côrtes (RJ), Bibo Nunes (RS), Fernando Rodolfo (PE), Hélio Lopes (RJ), Ícaro Valmir (SE), João Carlos Bacelar (BA) e Pastor Gil (MA). O episódio gerou tensão interna no partido.
Em discurso, Bibo Nunes explicou que apoiou a suspensão por acreditar que o plenário não reuniria os 257 votos necessários para aprovar a cassação. “Se a emenda fosse rejeitada e o relatório original retomado, não haveria votos suficientes para nenhuma penalidade. Por isso, optei por garantir ao menos a suspensão”, disse.
Kim Kataguiri (União-SP) seguiu a mesma linha de raciocínio. No X, o parlamentar escreveu: “Não tínhamos votos suficientes pra cassação. Se perdêssemos essa votação também, o Glauber não teria punição alguma. Precisa que eu desenhe?”
O processo que levou ao plenário acusou Braga de quebra de decoro parlamentar. Em abril de 2024, ele expulsou, com empurrões e chutes, o militante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro da Câmara. Braga alegou que reagiu após Costenaro ofender sua mãe, Saudade Braga, ex-prefeita de Nova Friburgo (RJ), já falecida.
Leandro Soares
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