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Brasileiros com menor renda se sentem mais prósperos que os mais ricos, mostra pesquisa

O levantamento mostra que qualidade de vida, bem-estar emocional, relações sociais pesam mais.

A prosperidade para os brasileiros vai muito além do dinheiro no bolso, é o que revela a pesquisa “O que é prosperidade para o brasileiro”, realizada pelo Sicredi em parceria com o Instituto Datafolha e apresentada nesta quarta-feira (3), em São Paulo. O levantamento mostra que qualidade de vida, bem-estar emocional, relações sociais e propósito pessoal pesam mais na percepção de uma vida próspera do que a renda mensal.

Os dados indicam que, mesmo entre quem recebe até dois salários mínimos, 46% se consideram altamente prósperos, um índice superior ao observado em faixas de renda mais altas. Entre brasileiros que ganham acima de 10 salários mínimos, a proporção dos que se veem altamente prósperos cai para 32%.

Para Paulo Alves, gerente de pesquisa de mercado do Datafolha, o resultado confirma que prosperidade é um conceito subjetivo e multifacetado. “Cada pessoa enxerga a prosperidade de um jeito. Existem dezenas de aspectos que compõem essa autopercepção. A renda não é o principal meio, mas um caminho para viabilizar outros fatores que levam ao sentimento de prosperidade”, explica.

O economista Edval Landufo ressalta, entretanto, que a renda influencia a capacidade de sonhar e traçar objetivos. “Quando você tem uma população que recebe até três salários mínimos, também limita alguns sonhos e oportunidades. Muitas pessoas não pensam em sair do próprio estado, quiçá do Brasil. Para elas, prosperidade pode ser construir um puxadinho em casa”, afirmou.

Bem-estar psicológico e espiritualidade superam o peso da dimensão econômica

O estudo identificou quatro dimensões que compõem a prosperidade: econômica, psicológica, espiritual e social. A dimensão econômica concentra 39% da composição, seguida do bem-estar psicológico (26%) e da espiritualidade com propósito de vida (21%). Somados, os aspectos psicológicos e espirituais superam o peso da dimensão econômica.

Dentro do eixo econômico, os fatores mais associados à sensação de prosperidade são trabalhar com algo que gere satisfação (16%) e ter qualidade de vida com acesso a tecnologia e ferramentas (15%). Já a aquisição de bens (4%) e o empreendedorismo (3%) aparecem entre os menos determinantes.

O levantamento também revelou que mulheres se percebem mais prósperas do que homens, assim como idosos em comparação a pessoas com menos de 60 anos. A maioria dos brasileiros (66%) acredita que a prosperidade depende do próprio esforço, enquanto 34% dizem acreditar que “as coisas acontecem naturalmente”.

Metodologia

A pesquisa foi realizada em duas etapas. A primeira, qualitativa, contou com pesquisa teórica e grupos focais em todas as regiões do país, com participantes das classes A, B e C, para entender como os brasileiros definem e vivenciam prosperidade.

Os resultados orientaram a fase quantitativa, que entrevistou 2.003 pessoas em 113 cidades de 25 estados, entre os dias 8 e 17 de setembro de 2025. O levantamento ouviu homens e mulheres a partir de 16 anos e possui margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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