A Justiça da Itália decidiu adiar a análise do pedido de extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). O caso voltou à Corte de Apelação de Roma nesta quinta-feira (4), que optou por revisar documentos apresentados pela defesa da parlamentar, presa há quase 130 dias. A próxima sessão está marcada para o dia 18 de dezembro, quando o tribunal voltará a examinar os argumentos apresentados no processo.
Os advogados da deputada enviaram novos arquivos ao tribunal, que, segundo a defesa, apontam elementos para sustentar a alegação de perseguição política. Entre esses documentos está o parecer elaborado pelo relator da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), contrário à cassação do mandato da parlamentar. O texto apresentado ao tribunal italiano foi incluído no processo para tentar demonstrar que a situação enfrentada por Zambelli teria motivação política.
No parecer, o relator afirmou que a perda do mandato da deputada representaria “silenciar quase 1 milhão de vozes que depositaram, nas urnas, a esperança de serem representadas”. O documento foi anexado à defesa como uma das bases da argumentação enviada ao tribunal italiano. A Corte autorizou a análise do material antes de emitir nova decisão sobre o pedido de extradição.
A Embaixada do Brasil na Itália contratou o advogado Alessandro Gentilon, integrante da Advocacia-Geral da União, para acompanhar os trâmites do caso no país europeu. A representação brasileira tem prazo até o dia 10 de dezembro para apresentar sua manifestação oficial em resposta aos argumentos entregues pela defesa da parlamentar. O governo brasileiro conduz o pedido de extradição por meio do Ministério da Justiça.
Carla Zambelli informou ter deixado o Brasil em 3 de junho, alegando que realizaria tratamento médico na Itália. Pouco depois, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sua prisão preventiva a partir de pedido feito pela Procuradoria-Geral da República. Em outubro, o Ministério Público italiano já havia indicado que via fundamentos para autorizar a extradição, permitindo a transferência da deputada para cumprir pena no Brasil.
Davi Fernandes
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