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Mutação em vírus que matou milhões de aves pode gerar pandemia pior que a covid-19

O avanço de infecções entre mamíferos demonstra que o vírus já está atravessando barreiras biológicas.

A crescente disseminação do vírus H5N1 em aves, mamíferos e rebanhos comerciais reacendeu preocupações entre especialistas sobre o potencial pandêmico da gripe aviária. Pesquisadores afirmam que uma eventual mutação capaz de permitir a transmissão sustentada entre humanos poderia desencadear uma crise sanitária mais grave do que a registrada na pandemia da covid-19. A chefe do Centro de Infecções Respiratórias do Instituto Pasteur, Marie-Anne Rameix-Welti, destaca que a população não possui anticorpos contra a linhagem H5, o que aumentaria a vulnerabilidade global.

Embora o risco atual seja considerado baixo, o avanço de infecções entre mamíferos demonstra que o vírus já está atravessando barreiras biológicas importantes. Desde 2022, um aumento expressivo de casos em espécies selvagens e domésticas foi registrado, incluindo infecções inéditas em bovinos. Nos Estados Unidos, mais de mil ocorrências em rebanhos leiteiros e milhares de diagnósticos em outros mamíferos provocaram prejuízos superiores a 1 bilhão de dólares e levaram ao abate de milhões de aves, pressionando a cadeia produtiva.

Foto: Rauena Pinheiro/GP1Galinhas
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O histórico recente do H5N1 também preocupa autoridades sanitárias devido à alta letalidade. Desde os primeiros registros em humanos, em 1997, 48% dos infectados não sobreviveram, segundo dados internacionais. A Organização Mundial de Saúde Animal relata que, em duas décadas, mais de 600 milhões de aves morreram ou foram sacrificadas em razão de surtos da doença. A circulação simultânea do vírus entre aves silvestres, criações comerciais e mamíferos aumenta o risco de mutações que facilitem a adaptação ao organismo humano.

Diante desse cenário, governos e entidades de saúde internacionais têm intensificado seus protocolos de vigilância. Na Europa, autoridades receberam recomendações formais para ampliar capacidade hospitalar, reforçar estoques de equipamentos de proteção e prever medidas de isolamento caso o vírus evolua para transmissão entre pessoas. A orientação ocorre mesmo com o risco considerado “muito baixo” pela agência sanitária britânica, que alerta, porém, para a ameaça persistente causada pelos surtos amplos em animais.

No Brasil, o Ministério da Agricultura confirmou neste ano o primeiro foco em uma granja comercial, o que levou dezenas de países a suspenderem temporariamente as importações de carne de frango nacional. Após medidas de contenção, o país recuperou o status sanitário, mas especialistas afirmam que a ameaça continua em nível global. Para a comunidade científica, o monitoramento rigoroso das infecções e a preparação antecipada são essenciais para evitar que o H5N1 se torne o epicentro de uma nova pandemia.

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