O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de 48 horas para que o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), explique a ameaça de romper o acordo que visa evitar o retorno do chamado “orçamento secreto” e a divisão das emendas parlamentares na Casa.
Após uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na semana passada, Sóstenes declarou a jornalistas que, caso Motta não coloque em votação o requerimento de urgência do projeto que concede anistia aos réus dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, a bancada reagirá. A estratégia anunciada pelo líder inclui obstrução, greve de fome e, em último caso, o rompimento do acordo sobre a divisão das emendas de comissão. Segundo Sóstenes, essa última medida seria uma espécie de “morfina”, como se fosse um estágio final de pressão sobre Motta.
Se implementada, essa ação permitiria ao PL controlar 100% das emendas das comissões que preside na Câmara, o que poderia contrariar a interpretação do STF sobre a divisão das emendas de comissão. Em um trecho citado no pedido de esclarecimento de Dino, Sóstenes afirmou: "Se for preciso uma medida extrema, vamos desrespeitar esse acordo e passar a gerenciar 100% do valor das emendas das comissões que presidimos."
Diante dessa declaração, Flávio Dino determinou que Sóstenes Cavalcante seja intimado a fornecer esclarecimentos em até 48 horas, para possibilitar uma análise mais detalhada sobre os novos fatos revelados pelo líder partidário.
Carolina Matta
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