A Polícia Federal (PF) vai ouvir o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, no âmbito das investigações que apuram um esquema de fraudes em aposentadorias e pensões no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os investigadores apuram se nomes indicados por Lupi para cargos de comando no órgão estiveram diretamente envolvidos nas irregularidades.
Apesar de afirmar publicamente que não é alvo da investigação, bastidores apontam que Lupi participou das nomeações de integrantes da alta cúpula do INSS durante sua gestão no Ministério da Previdência. À época das supostas irregularidades, ele presidia o instituto.
Processos administrativos
Na segunda-feira (5), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) instaurou processos administrativos de responsabilização contra 12 entidades citadas pela Polícia Federal por envolvimento em um esquema de fraudes em aposentadorias e pensões. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União, com assinatura de José Alberto de Medeiros Landim, corregedor-geral substituto do órgão. Os processos têm prazo de 180 dias para conclusão.
Os procedimentos seguem as diretrizes da Lei Anticorrupção, com o objetivo de apurar e responsabilizar pessoas jurídicas por eventuais atos lesivos contra a administração pública.
Investigações
As investigações apontam que houve liberação indevida de créditos para aposentados e pensionistas, com possível participação de outros órgãos, como o Dataprev — empresa estatal de tecnologia da Previdência Social. Além das 12 entidades já mencionadas, outras 11 associações também estão sob apuração por suposto envolvimento no esquema.
Somente em 2023, os empréstimos consignados liberados ultrapassaram R$ 89,5 bilhões. No mesmo período, o INSS recebeu mais de 35 mil reclamações relacionadas a concessões de crédito feitas sem solicitação dos beneficiários.
Caroline Vitorino
Ver todos os comentários | 0 |