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Bolsonaro diz que se sente humilhado após operação da PF: "nunca pensei em sair do Brasil"

Operação da PF teve como base a suspeita de que Bolsonaro estaria articulando uma fuga do Brasil.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou como política a investigação da Polícia Federal que resultou, nesta sexta-feira (18), na imposição de medidas restritivas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro está proibido de sair de casa entre 19h e 7h, inclusive nos fins de semana, e terá que usar tornozeleira eletrônica. Ele também não poderá se comunicar com outros investigados, manter contato com diplomatas ou utilizar redes sociais.

Em entrevista à imprensa, o ex-presidente negou qualquer intenção de deixar o país. “Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para embaixada”, declarou. A operação da PF teve como base a suspeita de que Bolsonaro estaria articulando uma possível fuga do Brasil, o que foi negado por ele.

Foto: Carlos Moura/Agência SenadoJair Bolsonaro
Jair Bolsonaro

Segundo a decisão de Moraes, o ex-presidente teria atuado, em conjunto com o filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para interferir em processos judiciais. O ministro também destacou que Bolsonaro fez declarações públicas sugerindo que sua anistia estaria ligada à suspensão das sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Brasil.

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência de Bolsonaro, em Brasília, os agentes federais encontraram cerca de US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie. O ex-presidente confirmou a existência do valor em dólares e disse que possui um recibo emitido pelo Banco do Brasil. Também foi apreendido um pendrive escondido em um banheiro da casa, que será analisado pela polícia científica para verificar seu conteúdo.

A legislação brasileira não proíbe a posse de dinheiro em espécie, mas, em casos de movimentação internacional, valores superiores a US$ 10 mil precisam ser declarados à Receita Federal. A investigação apura possíveis crimes de coação no curso do processo, obstrução da Justiça e ameaça à soberania nacional. O material recolhido pode reforçar ou descartar essas suspeitas, dependendo do que for identificado pela perícia.

A defesa de Jair Bolsonaro afirmou ter recebido as medidas com “surpresa e indignação”, alegando que o ex-presidente sempre respeitou as decisões judiciais. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro reagiram publicamente, acusando o ministro Alexandre de Moraes de cometer abuso de autoridade e agir motivado por “ódio político”.

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