O principal assessor da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, concedeu uma entrevista ao jornal econômico britânico Financial Times e criticou a atitude de Donald Trump ao impor uma tarifa de 50% às exportações do Brasil aos EUA. Ele ainda afirmou que o Brasil pretende reforçar sua participação no Brics, apesar das recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos.
De acordo com ele, as declarações de Trump fortalecem a intenção do país em manter relações diplomáticas diversificadas. Celso falou durante a entrevista que a tentativa do republicano de interferir em assuntos internos do Brasil não tem precedentes, "nem em tempos coloniais". Ele ainda completou: “nem mesmo a União Soviética teria feito algo assim”, apontando que Trump está tentando agir politicamente em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"O que está acontecendo está reforçando nossas relações com os Brics, porque queremos diversificar nossas relações e não depender de nenhum país só", disse Amorim, afirmando que o Brasil também pretende fortalecer vínculos com outros países.
Ao relembrar o princípio da diplomacia de que “os países não têm amigos, apenas interesses”, Amorim afirmou que Trump representa uma exceção: “Ele não tem amigos nem interesses, apenas desejos”. Segundo ele, a atitude do presidente norte-americano é “uma ilustração de poder absoluto”.
Tarifas de 50%
A medida tarifária de 50% proposta por Trump está entre as mais altas ventiladas em sua atual rodada de negociações. As tarifas foram anunciadas por Trump em 9 de julho e devem passar a valer a partir de 1º de agosto.
O norte-americano citou como um dos motivos para a taxação o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro pela Justiça brasileira no processo em que é acusado de tramar um suposto golpe de Estado. Segundo Trump, a situação é uma "caça às bruxas" contra o aliado.
Em resposta, Lula se pronunciou e afirmou que Trump “foi eleito para ser presidente dos EUA, não imperador do mundo”.
Rauena Pinheiro
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