A visita do presidente Lula (PT) e da primeira-dama Janja da Silva na favela do Moinho, em São Paulo (SP), foi viabilizada por uma ONG ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo os colunistas Andreza Matais e André Shalders, do Metrópoles. O petista esteve na comunidade no dia 26 de junho.
A agenda presidencial no local foi organizada após reuniões com a Associação da Comunidade do Moinho. Conforme os colunistas, a sede da entidade já foi usada para guardar drogas para o PCC.
De acordo com o Metrópoles, a presidente da ONG é irmã do traficante Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”, antigo chefe do tráfico na favela.
Segundo o Ministério Público, aquela comunidade é controlada pelo PCC e o acesso à região é bem restrito para que não reside no local. Dois dias antes da visita de Lula, o ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral da Presidência, esteve na sede da ONG para organizar a agenda presidencial.
Outro lado
O ministro Márcio Macêdo afirmou que o encontro com a Associação teve como única pauta a apresentação da solução habitacional para as famílias da favela do Moinho.
De acordo com a Secom, a segurança da comitiva foi conduzida “de forma rigorosa pelos órgãos competentes, conforme o protocolo adotado em qualquer agenda presidencial, não tendo sido identificado qualquer risco à integridade das autoridades presentes”.
Leia abaixo a íntegra da manifestação de Márcio Macêdo:
“A agenda na Favela do Moinho teve como única pauta a apresentação da solução habitacional para as 900 famílias que residem naquela localidade.
O acordo de solução habitacional para a Favela do Moinho foi construído entre o governo federal e o governo do Estado de São Paulo.
O diálogo se deu com moradores da comunidade, primeiro para a construção do acordo que tinha como objetivo a saída pacífica da favela e a destinação adequada das famílias, e depois, na véspera do ato com o presidente Lula, para a preparação da visita em si.
O diálogo com lideranças comunitárias é parte fundamental da atuação de qualquer governo comprometido com políticas de inclusão social, habitação e valorização da cidadania.
A visita à Favela ocorreu de maneira tranquila, sem incidentes, de forma transparente, inclusive com o acompanhamento da imprensa.
O acordo, além da solução habitacional, também incluiu a autorização para a continuidade da cessão do terreno pertencente à União, para o governo do Estado fazer um parque. Para isso, foram estabelecidas condicionantes vinculadas à solução habitacional, evitando situações de conflito e violência”.
Leia abaixo a íntegra da nota da Secom
“A agenda do Presidente da República na Favela do Moinho, em São Paulo, teve caráter institucional e público, voltado à escuta da comunidade e ao anúncio de políticas públicas em uma das regiões mais vulneráveis da cidade.
A interlocução com representantes comunitários é uma prática essencial de qualquer governo que atue com políticas públicas voltadas à inclusão, à moradia e à promoção da dignidade. Associações locais são formadas e escolhidas pelos próprios moradores e constituem pontos naturais de contato com o poder público.
Neste caso em específico, a interlocução com o presidente se deu por meio de Flavia Maria da Silva, liderança designada pela comunidade como porta-voz, com trajetória reconhecida e idônea.
A agenda do presidente consistiu em um ato na quadra poliesportiva da comunidade, uma visita à escola local, onde foi recebido por um coral de crianças, e a uma visita de cortesia à residência de Flavia da Silva.
A segurança do presidente, da primeira-dama e de toda a comitiva foi conduzida de forma rigorosa pelos órgãos competentes, conforme o protocolo adotado em qualquer agenda presidencial, não tendo sido identificado qualquer risco à integridade das autoridades presentes.
O governo federal reforça que atua com responsabilidade institucional, respeito às normas de segurança e compromisso com a promoção de políticas públicas voltadas à inclusão social e à melhoria das condições de vida da população.”
Thais Guimarães
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