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Favela do Moinho: atraso em repasse faz gestão Tarcísio custear casas prometidas por Lula

A área é considerada uma das últimas comunidades da região central e apresenta alto risco de incêndios.

Um acordo firmado em maio entre o presidente Lula (PT) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), previa a compra de imóveis para reassentar quase 900 famílias da Favela do Moinho, no centro da capital paulista. No entanto, três meses após o anúncio, a Caixa Econômica Federal ainda não repassou os recursos prometidos, o que obrigou a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) a arcar sozinha com cerca de R$ 200 milhões da operação. O governo estadual afirma que pretende cobrar o ressarcimento da União.

De acordo com o secretário estadual de Habitação, Marcelo Branco, quase 500 famílias já foram retiradas da área, mas sem qualquer participação federal no custeio das novas moradias. A proposta inicial previa que cada família receberia até R$ 250 mil — sendo R$ 180 mil do Governo Federal e R$ 70 mil do estadual, além de um auxílio-moradia de R$ 1.200 até a mudança definitiva. Apesar disso, apenas nesta sexta-feira (15) a Caixa divulgou uma lista parcial com os nomes das primeiras 453 famílias que tiveram o cadastro aprovado, em etapa preliminar ao repasse.

Foto: Cláudio Kbene/ PRPresidente Lula
Presidente Lula

A Favela do Moinho, localizada entre os bairros de Campos Elíseos e Barra Funda, ocupa uma área de propriedade da União próxima à antiga fábrica Moinho Matarazzo. Considerada uma das últimas comunidades da região central, a área é controlada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e apresenta alto risco de incêndios e acidentes, devido à alta densidade de moradias, fiação exposta e proximidade de linhas férreas. O governo paulista já registrou dois grandes incêndios na última década, que deixaram mortos e centenas de desabrigados.

O processo de desocupação foi iniciado em abril, com a oferta de imóveis da Cohab, financiamento habitacional e auxílio-aluguel de R$ 800. Entretanto, parte das casas desocupadas foi reocupada por criminosos, o que levou ao aumento da presença policial na região. Esse fator foi usado pelo Governo Federal como argumento para travar a cessão do terreno. Apesar da visita de Lula em junho, quando o presidente anunciou pessoalmente o benefício ao lado de ministros, o impasse permanece.

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