Fechar
GP1

Brasil

Auditoria do TCU indica ‘risco de insustentabilidade a longo prazo’ nos Correios

Gestão deficiente, prejuízos bilionários e risco à continuidade dos serviços preocupam auditores.

Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), ao qual a revista Veja teve acesso, alerta para uma crise financeira sem precedentes enfrentada pelos Correios. Segundo o documento, a situação da estatal ameaça sua sustentabilidade a longo prazo e levanta dúvidas sobre a continuidade dos serviços essenciais oferecidos à população.

A auditoria do TCU aponta déficits crescentes, má gestão e dificuldades para honrar compromissos financeiros como principais causas do colapso iminente dos Correios. O relatório destaca que, apesar do lucro recorde obtido durante o Governo Jair Bolsonaro, período em que se discutia a privatização da estatal, a empresa voltou a operar no vermelho sob o Governo Lula, que a retirou da lista de desestatizações. No primeiro trimestre de 2025, os Correios já acumulam um prejuízo de R$ 1,7 bilhão, agravando ainda mais o cenário.

“Devido à queda de demanda por produtos do monopólio e à perda de market share do segmento de encomendas, pode haver uma tendência de queda de receita, levando à insustentabilidade econômico-financeira no longo prazo, impactando a capacidade de a estatal prestar o serviço postal universal e a sua independência de recursos do Tesouro Nacional”, diz a auditoria, segundo trecho transcrito pela revista.

Foto: Divulgação/TCU/Saulo CruzSede do Tribunal de Contas da União (TCU)
Sede do Tribunal de Contas da União (TCU)

Outro dado apontado no relatório é que, entre novembro de 2019 e novembro de 2023, cerca de 43% das 5,3 mil licitações realizadas pela estatal apresentaram indícios de irregularidades. As falhas vão desde suspeitas de conluio e participação de apenas um licitante até a escolha de fornecedores com restrições, o que reforça o diagnóstico de vulnerabilidade administrativa e fragilidade nos controles internos da empresa.

Segundo o TCU, parte de um empréstimo contratado para 2024 será redirecionada para cobrir déficits previdenciários e não para investimentos em modernização ou expansão dos serviços. O próprio plano estratégico da empresa, que cobre o período de 2023 a 2027, admite que o principal desafio atual da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) é “manter-se no mercado”.

Apesar de sua capilaridade com atuação em 99,7% dos municípios e mais de 11,7 milhões de entregas diárias em 2022, os Correios enfrentam concorrência acirrada de empresas internacionais de logística, que oferecem prazos mais curtos e preços mais competitivos. A estatal também é criticada pelo TCU por manter uma infraestrutura ainda predominantemente analógica, ter uma cultura digital limitada e demonstrar baixa capacidade de inovação em serviços digitais. Outro ponto envolve a receita do segmento de encomendas, que responde por pouco mais da metade do faturamento da empresa.

De acordo com o TCU, essa área vem perdendo mercado ano após ano. A diretoria atual aprovou, inclusive, a suspensão de pagamentos no valor de R$ 2,75 bilhões, que incluem tributos, encargos previdenciários e benefícios a funcionários, como planos de saúde.

Em nota oficial, os Correios afirmaram estar cientes do cenário desafiador, agravado por mudanças regulatórias no segmento internacional e pelos "subinvestimentos" realizados entre 2019 e 2022. Como resposta, a empresa afirma ter estruturado um plano bianual de reequilíbrio financeiro. Entre as ações, estão o aumento dos investimentos anuais que passaram de uma média de R$ 447 milhões no período anterior para mais de R$ 792 milhões em 2023 e 2024 e o compromisso com o governo federal de reduzir R$ 1,5 bilhão em despesas até o final de 2025.

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.