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Aliança do Centrão com Tarcísio de Freitas pode travar agenda de Lula no Congresso

O movimento pode dificultar a aprovação de pautas como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil.

A debandada de partidos do Centrão da base governista e a entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nas articulações pela votação da anistia acenderam um novo alerta no Palácio do Planalto. O temor é que o movimento fortaleça a oposição e dificulte a aprovação de pautas de interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil.

O primeiro sinal de dificuldade veio na semana passada, quando União Brasil e Progressistas (PP) votaram contra a PEC que cria novas regras para os precatórios. O texto, que autoriza gasto extra de R$ 12,4 bilhões em 2026, passou por margem mínima de votos. Para líderes governistas, a saída dos partidos da base amplia o poder de veto da oposição.

Foto: Rovena Rosa/Agência BrasilTarcísio de Freitas, governador de São Paulo
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo

Na mesma semana, as direções de União e PP determinaram que seus filiados deixem cargos no governo até o fim de setembro. Além de apoiar a anistia, as siglas buscam consolidar, ainda em 2024, a candidatura de Tarcísio de Freitas à Presidência em 2026, com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro vê o governador como possível nome da direita, embora Tarcísio afirme que pretende disputar a reeleição em São Paulo.

A movimentação preocupa o Planalto, que já trata o paulista como principal adversário de Lula em 2026. Nos bastidores, parlamentares petistas admitem que o desembarque do Centrão deve travar projetos ainda este ano. A isenção do IR, aposta do governo para recuperar popularidade, teve tentativas de votação esvaziadas pelo julgamento de Bolsonaro no STF. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), reforça que o texto precisa ser aprovado em 2024 para valer em 2026. Analistas avaliam que o Planalto ainda pode contar com apoios pontuais, mas em condições mais caras e instáveis, exigindo maior distribuição de emendas, cargos e relatorias.

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