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Incêndio em bar nos Alpes Suíços lembra tragédia da boate Kiss, avalia especialista

Imagens mostram o momento em que velas pirotécnicas presas a garrafas entram em contato com o teto.

O incêndio que atingiu um bar na estação de esqui de Crans-Montana, nos Alpes Suíços, na madrugada da última quinta-feira (1º), pode ter sido provocado por uma sequência de erros semelhante à que resultou na tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013. A avaliação é do engenheiro Gerardo Portela, doutor em gerenciamento de riscos e segurança e integrante do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Coppe/UFRJ.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, nesta sexta-feira (2), Portela afirmou que o episódio apresenta características praticamente idênticas às do ocorrido no Brasil, quando 242 pessoas morreram e outras 636 ficaram feridas. “É muito parecido com o que aconteceu na boate Kiss”, destacou.

Foto: Reprodução/Redes SociaisFesta de Ano Novo termina em tragédia em estação de esqui na Suíça
Festa de Ano Novo termina em tragédia em estação de esqui na Suíça

Imagens gravadas por frequentadores que participavam de uma festa de Réveillon em um bar suíço mostram o momento em que velas pirotécnicas presas a garrafas de champanhe entram em contato com o revestimento do teto, dando início ao incêndio. O fogo deixou pelo menos 40 mortos e mais de 100 feridos. Na boate Kiss, o incêndio também começou após o uso de artefatos pirotécnicos durante uma apresentação musical, com rápida propagação das chamas pelo teto da casa noturna.

Segundo Portela, a repetição de fatores de risco é comum em tragédias desse tipo. “O uso de material pirotécnico inadequado para ambientes fechados, associado a revestimentos acústicos ou climáticos inflamáveis, cria condições ideais para a rápida propagação do fogo”, explicou o especialista.

O engenheiro ressaltou ainda que a circulação de ar restrita, a ausência de rotas de fuga adequadas e a sinalização deficiente de saídas de emergência agravam o cenário em situações de incêndio. “Desde os anos 1940, já ocorreram mais de 20 tragédias semelhantes em países de diferentes níveis de desenvolvimento, inclusive em nações com forte cultura de segurança, e parece que não aprendemos nada”, lamentou.

De acordo com o especialista, o uso de materiais inadequados no revestimento do teto contribui para que o fogo se alastre rapidamente, além de liberar substâncias químicas que podem ser tóxicas ou altamente inflamáveis. O recomendado, segundo ele, é a utilização de materiais não inflamáveis e de fogos de artifício específicos para ambientes fechados, que não liberam fagulhas.

Fenômenos aceleraram a propagação do fogo

Gerardo Portela explicou que dois fenômenos contribuíram para a rápida evolução do incêndio na Suíça: o flashover e o flashfire. O flashover ocorre quando um foco inicial de incêndio se transforma repentinamente em um fogo totalmente desenvolvido dentro de um ambiente fechado.

“O calor radiante aquece todos os objetos do local até que atinjam a temperatura de autoignição e passem a queimar simultaneamente. É um evento sustentado que transforma o ambiente em um verdadeiro forno”, detalhou.

Já o flashfire se caracteriza pela ignição rápida e de curta duração de uma nuvem de gases combustíveis ou vapores acumulados. “A chama se propaga rapidamente pela mistura ar-combustível, geralmente no teto ou em áreas abertas, mas sem necessariamente incendiar de imediato todos os objetos sólidos ao redor”, explicou Portela, que acredita que ambos os fenômenos tenham ocorrido no incêndio em Crans-Montana.

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