A Procuradoria-Geral da República foi acionada nessa terça-feira (27) para apurar possíveis indícios de tráfico de influência e eventual descumprimento da Lei de Conflito de Interesses envolvendo o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. A provocação ocorreu por meio de uma notícia de fato apresentada pelo deputado estadual de São Paulo Guto Zacarias, do União Brasil, com base em informações divulgadas pela imprensa nacional.
A representação aponta que o escritório de advocacia do qual Lewandowski é sócio teria recebido mais de R$ 5 milhões do Banco Master. O montante inclui valores pagos inclusive após a posse do ex-ministro no Governo Federal, no primeiro escalão da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reportagem citada na denúncia informa a existência de um contrato que previa pagamentos mensais de R$ 250 mil.
De acordo com o parlamentar, a apuração busca verificar a existência de eventual nexo entre os valores recebidos, os serviços prestados pelo escritório e o exercício anterior de função pública considerada estratégica. O pedido destaca o interesse público na investigação, tanto pelo volume financeiro envolvido quanto pela possibilidade de uso indevido de influência ou de informações obtidas durante o exercício de cargos relevantes na área da Justiça e da segurança pública.
Na representação encaminhada à PGR, Guto Zacarias solicita que sejam analisadas a compatibilidade dos valores pagos por Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, com os serviços alegadamente prestados, além da eventual participação direta ou indireta de familiares, pessoas próximas ou pessoas jurídicas vinculadas ao ex-ministro Ricardo Lewandowski. O documento também menciona condenações relacionadas a tráfico de influência e a atos contra princípios da administração pública.
O caso ocorre em um contexto no qual a Procuradoria-Geral da República já rejeitou pedidos de investigação envolvendo outros ministros do Supremo Tribunal Federal. Recentemente, o procurador-geral Paulo Gonet negou solicitações para apurar a atuação de Dias Toffoli no caso Master e arquivou pedidos relacionados a Alexandre de Moraes, sob o argumento de ausência de elementos que indicassem ilegalidade nos contratos mencionados ou promessas de condutas ilícitas.
Davi Fernandes
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