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Filho de Lewandowski advogou no STJ para grupo ligado ao Master

A Capital Consig é investigada por fraudes em empréstimos consignados a servidores públicos.

O filho do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, o advogado Enrique de Abreu Lewandowski, atuou em favor da Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A. no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em dezembro de 2025. A empresa é investigada por fraudes em empréstimos consignados a servidores públicos do estado de Mato Grosso, além de ser apontada como a fornecedora de créditos que integraram carteiras do Banco Master.

Esse recurso feito por Enrique Lewandowski em favor da Consig questionava a decisão do governo estadual em suspender o cadastro da empresa para concessão de empréstimos consignados a servidores públicos. Dessa forma, a empresa buscava suspender a decisão do Estado de Mato Grosso que interrompeu a contratação de novos consignados e descontos em folhas de contratos já existentes. No entanto, a liminar foi negada pelo ministro Francisco Falcão.

Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilMinistro da Justiça, Ricardo Lewandowski
Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski

Na época, o pai do advogado ainda chefiava o Ministério da Justiça do governo Lula (PT). Lewandowski deixou o cargo em 8 de janeiro deste ano. A coincidência temporal ganhou destaque no contexto das investigações envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, que em 2025 teria desembolsado R$ 5 milhões ao escritório ligado à família do ex-ministro e à cadeia de crédito consignado sob suspeita.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou nessa quarta-feira (28) que o presidente Lula sabia que Ricardo Lewandowski possuía contratos com empresas privadas antes de assumir a pasta na administração pública, a qual foi indicado em janeiro de 2024.

Suspensão de consignados

A Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S. A. teve os consignados suspensos após denúncias de irregularidades envolvendo operações de crédito, inclusive com suspeitas de que a empresa repassava aos servidores valores inferiores aos das células de crédito bancário (CCBs). O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) divulgou relatório em agosto do ano passa do, em que apontou inconsistências nos contratos.

Relato do Banco Central encaminhado ao Ministério Público Federal em julho de 2025 mostrou que os créditos consignados sob suspeita eram originados na Capital Consig, que repassava parte dessas carteiras à Cartos Sociedade de Crédito Direto. Em seguida, a Cartos cedia os contratos à Tirreno Consultoria, que vendeu ao Banco Master cerca de R$ 6,7 milhões em operações de crédito entre janeiro e junho de 2025. Em pouco tempo, o Master revendeu as mesmas carteiras ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões, incluindo prêmio estimado em R$ 5,5 bilhões.

Em nota encaminhada nesta sexta-feira (30), a Capital Consig esclareceu que não possui qualquer relação como Banco Master, e que nunca vendeu carteira a este banco. "A empresa deixa claro que age com as melhores práticas e dentro das normas do Banco Central do Brasil", diz trecho da manifestação.

A Cartos também manifestou que não possui "qualquer envolvimento com os fatos investigados no âmbito da Operação Compliance Zero", e que não teve nenhuma operação entre ela e o Banco Master,

Confira a nota da Cartos na íntegra

"A Cartos esclarece que não tem qualquer envolvimento com os fatos investigados no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. São incorretas e desprovidas de fundamento as tentativas de associar a Cartos à cadeia de créditos analisada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, uma vez que a empresa não é objeto das investigações nem mantém relação com os fatos apurados.

A Cartos não tem qualquer envolvimento com os fatos investigados no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. As tentativas de vincular a Cartos à cadeia de créditos analisada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal são equivocadas e desprovidas de fundamento.

A Cartos não originou, estruturou, comercializou, intermediou ou cedeu quaisquer créditos ou títulos relacionados às investigações. As carteiras sob apuração foram exclusivamente originadas pela empresa Tirreno, com a qual a Cartos não mantém e nunca manteve qualquer relação contratual, comercial ou operacional. A companhia tampouco integrou, participou ou foi cotista de fundos mencionados nos autos, nem atuou em qualquer etapa operacional das operações analisadas.

Da mesma forma, jamais houve qualquer operação entre a Cartos e o Banco Master. Não existem cessões, aquisições, vendas de ativos, créditos ou títulos entre as partes.

A Cartos reafirma que atua em conformidade com a legislação vigente e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos que eventualmente se façam necessários, bem como da sociedade, no compromisso com a transparência e a regularidade de suas operações".

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