O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (10) que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, demonstrou “coragem” ao colaborar com as investigações que apuram irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo Rodrigues, os problemas identificados não surgiram na atual gestão da autarquia, mas têm origem em administrações anteriores.
De acordo com ele, o avanço das apurações só foi possível devido à cooperação institucional entre os órgãos e à decisão de Galípolo de encaminhar as informações às autoridades competentes. “Esse enfrentamento aconteceu graças à integração e à parceria entre as instituições, além da coragem do presidente do Banco Central de lidar com uma situação herdada e encaminhar os dados à Polícia Federal, como determina a legislação”, declarou.
As declarações foram feitas durante a apresentação do balanço das atividades de 2025 da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Antes de Galípolo assumir o comando do Banco Central, o órgão era presidido por Roberto Campos Neto, indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Questionado sobre a existência de indícios concretos envolvendo gestões anteriores do BC, Andrei Rodrigues afirmou apenas que havia registros de alertas anteriores ao atual comando da instituição. “O que chegou ao nosso conhecimento foi fruto do procedimento legal de comunicação do Banco Central à Procuradoria-Geral da República e, posteriormente, à Polícia Federal. Identificamos que, em outros momentos, já existiam alertas”, explicou.
Rodrigues também ressaltou que a Polícia Federal atua com autonomia no caso, assim como o Banco Central. Segundo ele, o inquérito caminha para a fase final e deve ser concluído em breve. No dia 16 do mês passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso, autorizou a prorrogação das investigações por mais 60 dias.
“Estamos avançando para a elaboração do relatório final, tratando do objeto principal do inquérito e dando encaminhamento a todos os elementos encontrados, sem descartar nenhuma hipótese. A condução das investigações segue o cuidado de não desviar o foco central, mas nenhum achado relevante será ignorado”, concluiu.
Rodrigo Mendes
Ver todos os comentários | 0 |