A homenagem prestada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na noite desse domingo (15), no Sambódromo da Marquês da Sapucaí, gerou forte reação de políticos e apoiadores da direita.
Conservadores afirmaram que o enredo exaltou a trajetória de Lula e omitiu episódios como investigações, condenações posteriormente anuladas e o período em que o petista esteve preso. Segundo eles, o desfile configuraria propaganda antecipada em ano eleitoral e possível abuso de poder político, já que Lula é pré-candidato à reeleição.
O desfile, que teria sido parcialmente custeado com recursos federais, também retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço preso. Lula acompanhou a apresentação em um camarote ao lado da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja. Em determinado momento, o presidente desceu até a avenida junto ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para cumprimentar integrantes da escola.
Reações da direita
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou um vídeo nas redes sociais mostrando Bolsonaro representado como um palhaço atrás das grades com tornozeleira eletrônica. Na publicação, afirmou: “Quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial e não opinião”.
O deputado federal Nikolas Ferreira declarou que, se o desfile tivesse ocorrido em 2022, Bolsonaro teria sido alvo de medidas judiciais. “Se esse desfile fosse em 2022: Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e inelegibilidade vitalícia”, escreveu.
Se esse desfile fosse em 2022:
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) February 16, 2026
Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e o inegibilidade vitalícia.
Já o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo produzido com uso de inteligência artificial, no qual um samba-enredo chama Lula de ladrão e se refere à primeira-dama como “esbanja”, mencionando gastos do casal, o escândalo do INSS, sigilos governamentais e a situação financeira de estatais. “Diferente do desfile eleitoral do Lula, esse vídeo não usou dinheiro dos impostos”, afirmou.
Diferente do desfile eleitoral do Lula, esse vídeo não usou dinheiro dos impostos… pic.twitter.com/duR7c9n89E
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) February 15, 2026
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também compartilhou um samba-enredo criado com inteligência artificial, citando casos como o Mensalão, o Petrolão e o Banco Master, além de cobrar promessas de campanha: “Cadê minha picanha”.
E se o Lula recebesse uma homenagem sincera nesse carnaval? Seria mais ou menos assim… pic.twitter.com/e8KsLjIsbI
— Romeu Zema (@RomeuZema) February 12, 2026
Críticas e medidas judiciais
O ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, Fábio Wajngarten, classificou o desfile como “vergonhoso” e afirmou que pretende acionar a Justiça Eleitoral. “A inelegibilidade é certa”, escreveu.
O deputado federal Filipe Barros criticou os organizadores, afirmando que o desfile “zomba dos evangélicos e da perseguição política que Bolsonaro está passando” e destacou que a população estaria financiando o evento com recursos públicos.
Partidos e lideranças de direita recorreram a órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, além da Justiça comum e do Tribunal Superior Eleitoral, para tentar impedir a apresentação em ano eleitoral. No entanto, nenhuma decisão foi favorável aos pedidos.
No TSE, a ministra Cármen Lúcia afirmou que proibir previamente o desfile configuraria censura, lembrando que, em 2022, votou a favor da retirada de um documentário da Brasil Paralelo, mas, neste caso, entendeu que a restrição seria inadequada.
Debate político
O episódio reacendeu o debate sobre os limites entre manifestações culturais e propaganda política, especialmente em período pré-eleitoral. Enquanto aliados de Lula defendem a liberdade artística das escolas de samba, críticos argumentam que houve uso indevido de recursos públicos e favorecimento político.
A controvérsia deve continuar repercutindo nos próximos dias, com possíveis novos desdobramentos na Justiça e nas redes sociais.
Caroline Vitorino
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