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Arquidiocese do Rio chama de ‘ofensiva’ alegoria contra a família no desfile em homenagem a Lula

Evangélicos e políticos da direita também criticaram a representação e a consideraram desrespeitosa.

A Arquidiocese do estado do Rio de Janeiro divulgou uma nota nesta quarta-feira (18) onde se manifestou sobre o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói no último domingo (15), que representou famílias cristãs dentro de latas de conserva. Uma das alas da escola, que teve como enredo uma homenagem ao presidente Lula (PT), criticou o modelo da “família tradicional”. Cristãos evangélicos e políticos da direita também criticaram a representação e a consideraram desrespeitosa.

Na nota a Arquidiocese, sem mencionar o nome da escola, criticou o uso de “símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que compreendemos como ofensiva”.

Foto: Reprodução/InstagramAla “neoconservadores em conserva”
Ala “neoconservadores em conserva”

Ainda no texto a arquidiocese afirma que as manifestações culturais devem respeitar “convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis para as pessoas desta cidade”, e repudiou o fato de que “no desfile, eles ainda tiveram a coragem de colocar a família em uma lata de lixo”.

A arquidiocese relatou ainda que a liberdade de expressão deve caminhar “lado a lado com responsabilidade e respeito mútuo”.

Veja a nota da Arquidiocese na íntegra

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro manifesta sua preocupação a respeito da utilização de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que compreendemos como ofensiva.

Reconhecemos a cultura popular como expressão da identidade brasileira, espaço de criatividade, encontro e alegria. Ao mesmo tempo, é preciso que tais manifestações respeitem convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis para as pessoas desta cidade.

Reafirmamos nossa proximidade a todas as famílias, acolhendo as diferentes realidades em que se empenham para permanecerem unidas, educar seus filhos no bem e transmitir valores que contribuem para uma sociedade mais justa e fraterna. Quando a família permanece um elemento central e estruturante da vida social, essencial para a convivência e o bem-estar da sociedade.

As religiões, presentes em toda a cidade, desempenham papel particular e relevante na promoção da solidariedade, da educação e do cuidado com os mais vulneráveis. A fé continua ocupando um lugar essencial na vida social, permanecendo viva, influente e fundamental na formação ética e moral da sociedade. Ataques ou desrespeito a ela atingem não apenas as instituições, mas também a consciência de milhões de cidadãos.

A alegria, vivida de forma saudável e respeitosa, é legítima e enriquece a vida cultural. Situações pontuais de desrespeito não representam a riqueza e a diversidade cultural da cidade, que devem ser sempre espaços de inclusão, diálogo e convivência democrática. Cabe lembrar que os eventos culturais possuem regulamentos próprios, que estabelecem limites para manifestações públicas. Esses limites existem não para cercear a liberdade de expressão, mas justamente à luz desse valor fundamental em uma sociedade democrática, garantindo o respeito à posição religiosa das pessoas e à dignidade da família.

Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da fé, da dignidade da família, da liberdade religiosa, da liberdade de expressão e da construção de uma cultura de diálogo e paz. Direitos fundamentais como a liberdade de expressão caminham lado a lado com responsabilidade e respeito mútuo. O Rio de Janeiro é maior quando constrói pontes, promove a convivência respeitosa e reconhece que família, fé e cultura podem caminhar juntas na edificação de uma sociedade mais fraterna, madura e verdadeiramente democrática.

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