Metade dos parlamentares que deverão reavaliar o projeto de lei da dosimetria acredita que o Congresso Nacional pode derrubar o veto integral imposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dado faz parte do levantamento do Ranking dos Políticos, divulgado nesta quarta-feira (25), que ouviu 108 deputados federais de 18 partidos e 30 senadores pertencentes a 12 legendas.
O texto original do projeto previa anistia aos acusados pelos atos de 8 de janeiro e aos condenados por tentativa de golpe de Estado, medida que poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após assumir a relatoria, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) alterou a proposta e passou a chamá-la de “PL da dosimetria”, modificando o foco do projeto. Caso o veto presidencial seja derrubado, a pena atribuída a Bolsonaro — atualmente fixada em 27 anos e três meses de prisão — poderia cair para dois anos e quatro meses.
Na pesquisa, os parlamentares responderam à seguinte pergunta: “O Congresso Nacional deverá derrubar o veto presidencial à proposta de redução das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro?”. Tanto na Câmara quanto no Senado, predominou a avaliação de que a derrubada é possível, embora enfrente obstáculos políticos.
Resultados na Câmara dos Deputados
Sim, com facilidade: 24,1%
Sim, com dificuldade: 44,4%
Não, com facilidade: 12%
Não, com dificuldade: 18,5%
Não sabem ou não opinaram: 1%
Resultados no Senado Federal
Sim, com facilidade: 23,3%
Sim, com dificuldade: 36,7%
Não, com facilidade: 10%
Não, com dificuldade: 23,3%
Não sabem ou não opinaram: 6,7%
O recorte ideológico indica ainda que parlamentares do centro político tendem a apostar na derrubada do veto, ainda que por margem apertada: 50% dos deputados e 47,4% dos senadores desse grupo avaliam esse cenário como provável. Por outro lado, 21% dos deputados e 22% dos senadores acreditam que o veto deve ser mantido, mesmo diante de dificuldades.
O levantamento foi realizado entre os dias 28 de janeiro e 3 de fevereiro de 2026, com margem de erro de 6,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
Rodrigo Mendes
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