Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, esteve 17 vezes no Banco Central (BC) ao longo de 2025 em reuniões com o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e diretores de departamentos estratégicos para os seus negócios. Registros detalham que os encontros ocorreram durante negociações sobre a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) e às vésperas do início da liquidação do banco.
Em seu depoimento para a Polícia Federal (PF) no final de 2025, Vorcaro afirmou que o banco foi fiscalizado, mas que não foi avisado sobre os riscos de liquidação.
De acordo com os registros, as visitas aconteceram no gabinete da presidência, na Diretoria de Fiscalização, no Departamento de Supervisão Bancária e em comitês internos do Banco Central. Cinco dos 17 encontros foram com Galípolo, incluindo o de 11 de abril, quando Vorcaro permaneceu mais de três horas na sede da autoridade monetária no mesmo dia em que o BRB concluiu a auditoria interna e excluiu R$ 19 bilhões em ativos da negociação.
No dia 17 de março, o BC notificou oficialmente o Master sobre a insuficiência documental das carteiras vendidas. Após a negativa da operação com o BRB, Daniel Vorcaro retornou à autoridade monetária em setembro e participou de um último encontro virtual no mês de novembro.
No mesmo dia do encontro virtual, Vorcaro foi preso ao tentar deixar o país. Na mesma data, o BC decretou a liquidação do Banco.
O Banco Central ainda não se pronunciou sobre as reuniões, o espaço segue aberto. Já a defesa de Vorcaro informou que não irá se pronunciar.
Lilian Aragão
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