A relevância do bloco diplomático Brics para a estratégia internacional do Brasil passou a ser questionada após o início de confrontos envolvendo países integrantes do grupo no Oriente Médio. A crise se intensificou depois que o Irã realizou ataques contra alvos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, países que avaliam medidas de resposta. Apesar da escalada militar, o bloco não divulgou posicionamento oficial sobre os ataques.
O episódio ocorre em meio ao esforço do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fortalecer o papel do Brics como plataforma de articulação internacional e ampliar a presença do Brasil no chamado “Sul Global”. Na segunda-feira (9), Lula recebeu em Brasília o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, também integrante do grupo, para reuniões bilaterais que incluíram discussões sobre a situação no Oriente Médio.
Durante as declarações públicas após o encontro, os dois presidentes manifestaram preocupação com a escalada da violência e defenderam a busca por soluções pacíficas para o conflito. Apesar disso, não houve menção direta ao Brics como espaço institucional para discussão da crise entre os países envolvidos na disputa militar.
O bloco vinha ampliando sua atuação internacional desde 2023, quando China e Rússia impulsionaram um processo de expansão que incluiu novos membros. Em 2024, passaram a integrar formalmente o grupo o Irã, o Egito e a Etiópia, enquanto a Arábia Saudita foi convidada a participar, embora ainda não seja membro pleno. A ampliação buscava aumentar o peso político do Brics na ordem internacional.
Analistas apontam que a falta de posicionamento conjunto diante da crise evidencia limitações estruturais do grupo.
Davi Fernandes
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