O cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, fez um alerta ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o leilão de um megaterminal no Porto de Santos (SP). Segundo ele, uma eventual vitória de uma empresa estatal chinesa pode ter impactos na soberania brasileira e gerar tensão nas relações com o presidente norte-americano Donald Trump.
A declaração foi feita na semana passada durante uma palestra de Murakami a empresários brasileiros sobre o edital de licitação do chamado “Tecon 10”, projeto de um novo terminal de contêineres no maior porto da América Latina. O empreendimento prevê investimentos superiores a R$ 6 bilhões e o leilão está previsto para ocorrer no segundo semestre, após sucessivos adiamentos.
Em entrevista ao jornal A Tribuna, o diplomata expressou preocupação com o formato do leilão e com a possibilidade de participação de companhias estatais chinesas.
“Nossa preocupação é um leilão que dá vantagem a empresas chinesas estatais, que podem pôr em risco a soberania do Brasil sobre sua maior porta, o maior porto da América Latina”, afirmou.
Murakami também criticou o modelo definido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que impede a participação de empresas que já operam no porto santista. Segundo ele, é importante que o processo seja conduzido de forma equilibrada e que restrições não prejudiquem empresas consideradas transparentes.
Na fala, o cônsul citou as companhias europeias Maersk, da Dinamarca, e MSC, da Suíça, que já operam no porto. De acordo com a apuração, não há empresas americanas interessadas em disputar o Tecon 10.
Murakami também ressaltou que o porto tem importância estratégica para os Estados Unidos e desempenha papel relevante no cenário geopolítico, inclusive no combate ao crime organizado.
Entre as empresas que demonstraram interesse no terminal está a Cosco Shipping, armadora controlada pelo governo chinês. Pelas regras atuais do edital, a companhia também não poderia participar da disputa. A restrição, no entanto, tem sido um dos fatores por trás dos sucessivos adiamentos do leilão desde o fim do ano passado, em meio às discussões políticas e econômicas entre Brasil e China, tema que levou o próprio Lula a acompanhar as negociações.
Rodrigo Mendes
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