O Superior Tribunal Militar (STM) negou o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para declarar suspeito o ministro Joseli Parente Camelo, vice-presidente da Corte, no processo que pode resultar na perda de sua patente de capitão. A decisão foi divulgada na última quinta-feira (12). Os advogados alegaram que manifestações públicas do magistrado indicariam falta de imparcialidade para atuar no caso.
O pedido teve como base declarações de Camelo feitas durante sua posse no STM, em março de 2023, quando mencionou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria como desafio “pacificar o Brasil e consolidar de forma definitiva a democracia”. Antes de assumir o cargo, o ministro também afirmou, em entrevista à revista Crusoé, que a participação de militares na política poderia contaminar as Forças Armadas.
Ao longo do primeiro ano de mandato do presidente Lula, o ministro voltou a comentar temas políticos. Em 2024, declarou que via Lula como um “sindicalista”, mas não como comunista, ao tratar da diferenciação entre posições ideológicas. Ele também afirmou que ser de esquerda está relacionado a propostas voltadas a um país mais solidário e com atenção à população de menor renda.
Em 2025, Camelo participou de um encontro no Palácio da Alvorada, onde assistiu ao filme “Ainda Estou Aqui”, a convite do presidente. Na ocasião, classificou o evento como um momento de celebração do cinema nacional e de valorização da democracia. As declarações e participações foram usadas pela defesa de Bolsonaro como argumento para sustentar o pedido de afastamento do ministro.
O processo em análise no STM teve origem em decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que também condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado entre o fim de 2022 e 8 de janeiro de 2023. O ex-presidente está internado no hospital DF Star com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana. Diante do quadro, a defesa tenta obter junto ao ministro Alexandre de Moraes autorização para prisão domiciliar por razões humanitárias.
Davi Fernandes
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