Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo revela que quase metade dos brasileiros defende o impeachment imediato do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, em meio a suspeitas relacionadas ao chamado caso Banco Master.
De acordo com o levantamento, 49,3% dos entrevistados apoiam a saída imediata do magistrado. Outros 33,7% afirmam que o afastamento deve ocorrer apenas se houver comprovação das denúncias. Já 12,8% se posicionam contra qualquer medida nesse sentido, enquanto 4,1% dizem não ter opinião formada. Somados, mais de 80% defendem algum tipo de responsabilização, o que indica forte pressão popular por apuração do caso.
O jurista Walter Maierovitch avaliou que o resultado reflete o impacto das recentes revelações. “É um resultado esperado depois de todas essas revelações. Se ele cometeu ilícitos e há indicativos, é preciso apurar”, afirmou ao Estadão.
As suspeitas envolvem negociações relacionadas ao resort Tayayá, no Paraná, cujas cotas foram transferidas para o fundo Arleen, vinculado à Reag Investimentos, que teria conexões com o Banco Master. A operação ocorreu por meio de uma empresa da qual Toffoli admite ser sócio, enquanto seus irmãos aparecem como administradores.
Outro ponto citado nas investigações envolve o empresário Fabiano Zettel, ligado a operações financeiras relacionadas às cotas do empreendimento. Informações obtidas pela Polícia Federal indicariam possíveis conexões entre o empresário e o ministro, o que levou Toffoli a se afastar da relatoria do caso.
No campo político, o episódio já resultou em dez pedidos de impeachment apresentados no Senado desde fevereiro. Paralelamente, decisões envolvendo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado ampliaram a tensão entre os poderes, especialmente após o ministro Gilmar Mendes suspender medidas relacionadas às investigações.
A pesquisa também aponta impacto negativo na imagem do Supremo Tribunal Federal. Segundo os dados, apenas 9% dos brasileiros avaliam positivamente a atuação de Toffoli, enquanto 81% têm opinião negativa. No caso de Gilmar Mendes, 20% avaliam positivamente e 67% negativamente.
O levantamento ouviu 2 mil adultos em todo o país entre os dias 16 e 19 de março de 2026, por meio de questionários online. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Izabella Furtado
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