O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS apontou que o Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical (Sindnapi) descontou cerca de R$ 599,5 milhões de aposentados ao longo da última década. O levantamento coloca a entidade como a terceira que mais realizou descontos entre as organizações analisadas. As informações são do Metrópoles.
De acordo com o documento, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar, foram registrados mais de 26 milhões de descontos entre janeiro de 2015 e março de 2025. Desse total, mais da metade — aproximadamente 56% — ocorreu durante o Governo Lula período em que a arrecadação do sindicato teve crescimento expressivo, alcançando R$ 339,5 milhões entre 2023 e 2025.
O relatório também cita que o Sindnapi mantém, em sua diretoria, o sindicalista José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula, que ocupa o cargo de vice-presidente da entidade. Apesar de mencionado no documento, ele não foi incluído na lista de indiciados.
Entre os nomes apontados para indiciamento estão o presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza, e a ex-coordenadora jurídica, Tonia Inocentini Galleti.
O caso também já repercute no âmbito judicial. A Justiça Federal determinou o bloqueio de até meio bilhão de reais do sindicato, em meio às investigações que apuram possíveis irregularidades nos descontos realizados em benefícios previdenciários.
Outro ponto destacado no relatório envolve suspeitas de fraudes em autorizações de adesão de aposentados ao sindicato. Um exemplo citado pela Controladoria-Geral da União (CGU) aponta divergências em documentos analisados, indicando que um termo de adesão teria sido produzido posteriormente ao seu próprio registro formal, levantando indícios de possível falsificação.
A CPMI também identificou inconsistências em declarações prestadas pelo Sindnapi ao INSS, incluindo a omissão de vínculo familiar entre dirigentes da entidade e membros do governo federal. Pelas regras vigentes, acordos com o INSS não podem envolver entidades cujos dirigentes tenham parentesco com ocupantes de cargos públicos.
As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer a extensão das possíveis irregularidades envolvendo descontos indevidos e a regularidade dos acordos firmados entre o INSS e entidades representativas de aposentados.
Wanessa Gommes
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