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Delatora da Lava Jato é presa em operação contra corrupção em São Paulo

Entre os bens apreendidos na operação estão ao menos 3 carros de luxo das marcas Jaguar, Porsche e BMW.

A ex-contadora do doleiro Alberto Youssef e delatora da Operação Lava Jato, Meire Poza, foi presa na manhã desta quinta-feira (05) durante uma operação que investiga um amplo esquema de corrupção envolvendo policiais civis de São Paulo. Até o momento, pelo menos outras cinco pessoas, entre elas agentes da Polícia Civil, tiveram a prisão preventiva decretada. Além disso, outros cinco mandados de prisão estão sendo executados.

Contadora de Youssef, Poza atuava para o doleiro que acabou detido pela Lava Jato por operar parte do esquema de corrupção na Petrobras. As transações ilícitas investigadas chegaram a movimentar cerca de R$ 10 bilhões. A profissional foi uma das delatoras do esquema de pagamento de propina e chegou a declarar à Polícia Federal que não existia qualquer documento relacionado às irregularidades.

Foto: Reprodução/ Agência SenadoDelatora da Lava Jato é presa em operação contra corrupção
Delatora da Lava Jato é presa em operação contra corrupção

Realizada nesta quinta, a operação é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Federal. Contra Poza, foram cumpridos mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e bloqueio de bens. Na decisão que autorizou a prisão, a Justiça afirmou que a investigada possui relação com diversos policiais e outros indivíduos capazes de adulterar provas ou destruir elementos que poderiam servir de base para futuras denúncias.

O documento judicial também aponta que a delatora integra um complexo grupo voltado à lavagem de dinheiro, com diferentes ramificações. De acordo com a decisão, esse cenário indicaria risco de fuga durante o andamento do processo penal ou em caso de eventual condenação.

As apurações identificaram ainda uma conversa explícita em que se menciona um possível acordo dentro da organização criminosa para tentar livrar Poza de um procedimento instaurado no Departamento de Polícia e Proteção à Cidadania. Esse procedimento estaria ligado às investigações da Operação Fractal (2022), deflagrada em 2022 com o objetivo de desmontar um esquema bilionário de envio ilegal de dinheiro ao exterior.

Já o esquema investigado nesta quinta-feira funcionaria por meio de pagamentos frequentes de vantagens indevidas a agentes públicos, além de fraude processual, manipulação de investigações e destruição de provas dentro de inquéritos policiais. Batizada de Operação Bazaar, a ação cumpre 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais, 11 mandados de prisão e seis de intimação.

Entre os bens apreendidos durante a operação estão ao menos três carros de luxo das marcas Jaguar, Porsche e BMW.

Segundo o Ministério Público paulista, o grupo investigado, formado por doleiros, operadores financeiros e indivíduos com longo histórico em práticas de lavagem de dinheiro, atuava de maneira estruturada para garantir a continuidade das atividades criminosas e evitar a responsabilização de seus integrantes. Para isso, eram feitos pagamentos a agentes públicos, além da adoção de estratégias de fraude processual e interferência em investigações.

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), ligado ao Ministério Público, identificou também que policiais estariam destruindo provas presentes em inquéritos policiais, o que facilitaria a manutenção das atividades do grupo.

Ao portal Metrópoles, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou apoiar a operação e disse ter colocado mais de dez equipes à disposição para auxiliar no cumprimento dos mandados. Ele declarou, contudo, que não tem conhecimento detalhado sobre o conteúdo das acusações direcionadas aos agentes da Polícia Civil investigados.

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