O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera, modificando os regimes de chuva e temperatura em diversas partes do planeta.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do fenômeno em junho de 2026 e estima 88% de probabilidade de que ele atinja intensidade entre forte e muito forte nos próximos meses.
Os modelos meteorológicos e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam uma probabilidade superior a 80% de que o fenômeno El Niño se estabeleça até julho. A expectativa é que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico provoque mudanças significativas no clima brasileiro, aumentando o risco de eventos extremos em diferentes regiões.
Impactos previstos no Brasil
Os efeitos variam conforme a região do país:
Sul: aumento das chuvas, maior risco de tempestades, granizo, enchentes e deslizamentos;
Sudeste: temperaturas acima da média e avanço de frentes frias que podem provocar chuvas principalmente no litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro;
Centro-Oeste: calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas;
Norte e Nordeste: redução das precipitações e maior risco de estiagens prolongadas.
Agronegócio deve reforçar medidas preventivas
O retorno do El Niño também preocupa o setor agropecuário. Especialistas recomendam que produtores revisem estratégias de gerenciamento de risco e avaliem se os seguros agrícolas contratados continuam compatíveis com os custos atuais de produção.
No Sul, onde o excesso de chuva e o granizo podem comprometer as lavouras, a orientação é investir em seguros de produtividade. Já nas regiões Norte e Nordeste, a recomendação é avaliar modalidades como o seguro paramétrico e coberturas multirriscos para minimizar prejuízos causados pela seca.
Setor de saneamento amplia investimentos
Empresas de saneamento também intensificaram o planejamento para enfrentar os impactos do fenômeno. A Aegea, por exemplo, utiliza modelos de inteligência artificial capazes de antecipar cenários climáticos com até seis meses de antecedência, permitindo ações preventivas em estados como Amazonas, Piauí e Pará.
A Sabesp informou que pretende investir R$ 7,8 bilhões entre 2025 e 2030 em obras de segurança hídrica, incluindo ampliação de reservatórios, combate a perdas de água, instalação de hidrômetros inteligentes e modernização dos sistemas de abastecimento.
Monitoramento será fundamental
Especialistas alertam que o El Niño ocorrerá em um contexto de temperaturas globais já elevadas, tornando ainda mais importante o acompanhamento das previsões meteorológicas e dos alertas emitidos pelos órgãos oficiais.
O monitoramento constante permite que governos, empresas e a população adotem medidas preventivas para reduzir os impactos de enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos previstos para os próximos meses.
Juliana Andrade
Ver todos os comentários | 0 |