Investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República informaram à defesa do banqueiro Daniel Vorcaro que a proposta de delação premiada deverá trazer um conjunto de provas inéditas, além do material já obtido em seu celular. Segundo os órgãos, a negociação não terá prazo definido e deve durar o tempo necessário para reunir elementos considerados robustos. As informações são do Estadão.
Preso desde 4 de março, Vorcaro iniciou as tratativas para o acordo no dia 19, após ser transferido para a superintendência da PF em Brasília. Ele já assinou um termo de confidencialidade, etapa inicial do processo, mas ainda precisa apresentar os chamados anexos da delação — que detalham os fatos e provas a serem apresentados — para dar início efetivo à negociação.
Ceticismo e exigências
Entre investigadores, o acordo é visto com cautela. Há dúvidas se o banqueiro conseguirá apresentar informações realmente novas, diante do volume de provas já reunidas até o momento. A análise do conteúdo de seu celular, apreendido na Operação Compliance Zero, é considerada apenas o ponto de partida.
Na avaliação da PF e da PGR, o material extraído do aparelho representa o “piso” da delação. Ou seja, Vorcaro precisará ir além, apresentando fatos inéditos e provas que ainda não estejam no conjunto de evidências já coletadas.
Pontos sensíveis
Três tópicos são apontados como principais entraves para o avanço do acordo: o tempo de prisão a ser cumprido pelo banqueiro, o valor do ressarcimento aos cofres públicos e a eventual inclusão de informações envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal.
Enquanto isso, advogados de Vorcaro têm visitado diariamente a PF para coletar depoimentos e estruturar os anexos da delação, que funcionam como um “cardápio” dos temas a serem abordados.
Prazo indefinido
A defesa trabalha com um prazo inicial de 45 dias para apresentação dos anexos, etapa que abriria a negociação formal do acordo — incluindo definição de pena e valores a serem devolvidos. No entanto, investigadores avaliam que esse cronograma é otimista.
A expectativa é de que o processo leve meses, já que PF e PGR afirmam não ter pressa e priorizam a consistência das provas apresentadas.
Ressarcimento em debate
Outro ponto considerado delicado ainda nem começou a ser discutido: o montante que Vorcaro terá que devolver. Para isso, os investigadores querem que o banqueiro apresente um mapeamento completo de seu patrimônio, incluindo eventuais recursos mantidos no exterior.
O objetivo é fixar um valor compatível com os prejuízos causados. Parte desses danos envolve o Banco Regional de Brasília e o Fundo Garantidor de Crédito, que desembolsou mais de R$ 50 bilhões para ressarcir credores do Banco Master.
A avaliação das autoridades é que o valor não pode ser nem simbólico nem inviável de ser pago, devendo refletir de forma proporcional os prejuízos identificados nas investigações.
Wanessa Gommes
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