O Pleno do Superior Tribunal de Justiça (STJ) elegeu, nesta terça-feira (14), o ministro Luís Felipe Salomão como o próximo presidente da Corte. A escolha ocorreu por unanimidade, com a participação de 32 dos 33 ministros do tribunal.
Salomão, que integra o STJ há 18 anos, assumirá o comando da instituição a partir de agosto, substituindo o atual presidente, Herman Benjamin, para um mandato de dois anos.
A eleição ocorre em meio a um cenário de desafios para o tribunal. Atualmente, o STJ enfrenta investigações relacionadas a um suposto esquema de venda de sentenças envolvendo advogados e ex-assessores de ministros. Além disso, no mesmo dia da escolha, a Corte analisou denúncias de assédio sexual contra o ministro Marco Buzzi. Segundo Herman Benjamin, a votação unânime busca demonstrar unidade institucional diante das crises.
Trajetória e atuação
Indicado ao STJ em 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Salomão ganhou destaque nos últimos anos por sua atuação como corregedor nacional de Justiça. No cargo, conduziu auditorias e inspeções relacionadas à Operação Lava Jato, elaborando relatórios sobre a atuação de magistrados.
O ministro também adotou medidas disciplinares envolvendo o uso de redes sociais por juízes, defendendo maior rigor na conduta pública de integrantes do Judiciário.
Atuação no TSE
No Tribunal Superior Eleitoral, onde atuou como corregedor-geral, Salomão participou de investigações envolvendo a chapa presidencial de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão. Os processos não resultaram em cassação, mas contribuíram para a definição de regras relacionadas ao combate à desinformação e ao uso de ferramentas digitais em campanhas eleitorais.
Durante as eleições de 2020, o ministro também esteve à frente de procedimentos administrativos ligados à apuração de supostos ataques ao sistema eleitoral, incluindo decisões que impactaram o financiamento e a monetização de conteúdos online.
Agora, à frente do STJ, Salomão assume o desafio de conduzir a Corte em um momento de apurações internas e de debates sobre a atuação do Judiciário no país.
Wanessa Gommes
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