A senadora Soraya Thronicke oficializou sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) nesta sexta-feira (3), em uma reviravolta nas últimas horas da janela partidária. A mudança foi registrada no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consolidando a troca dentro do prazo legal.
A decisão ocorreu após articulações com dirigentes nacionais do PSB e interlocutores do Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul. Segundo o deputado Vander Loubet (PT-MS), pesou na saída o movimento do Podemos — legenda que Soraya presidia no estado — de aproximação com o Partido Liberal (PL) no cenário nacional, o que poderia dificultar a formação de palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado.
Antes de oficializar a mudança, a senadora também manteve conversas com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e com o presidente nacional da sigla, João Campos.
Pressões internas e articulação política
A troca de partido contou com o aval de Lula e foi confirmada pela assessoria da parlamentar como parte das definições finais da janela partidária. Soraya resistiu ao convite para deixar o Podemos, mas passou a enfrentar pressão interna de aliados em diferentes estados. Entre eles, o vereador Ronny Gabriel, de Erechim (RS), que chegou a defender sua expulsão da legenda, acusando-a de se afastar do eleitorado conservador ao se aproximar do governo e romper com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também contribuiu para o desgaste recente a controvérsia envolvendo a acusação de estupro feita pela senadora contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS, às vésperas da apresentação de seu parecer.
No novo arranjo político, Soraya Thronicke deve compor uma chapa ao Senado em 2026 ao lado de Vander Loubet, alinhada ao projeto nacional do PT — articulação que já havia recebido sinal verde de Lula.
Jeyson Moraes
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