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Quadrilha especializada em lavar dinheiro para políticos e facções movimentou R$ 39 bilhões

Batizada de “Rede Arpar” pela CPMI do INSS, a organização funcionaria como uma espécie de banco paralelo.

As apurações conduzidas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, somadas às diferentes etapas da operação Sem Desconto, da Polícia Federal, trouxeram à tona um esquema que investigadores consideram um dos maiores já identificados no país envolvendo lavagem de dinheiro e envio ilegal de recursos ao exterior.

Há suspeitas de que a estrutura não tenha sido criada apenas para viabilizar fraudes no sistema previdenciário, mas também para movimentar valores ligados a crimes como tráfico de drogas e armas, apostas clandestinas e pagamento de propinas.

Foto: Divulgação/PFPolícia Federal
Polícia Federal

Batizada de “Rede Arpar” pela própria CPMI, a organização funcionaria como uma espécie de banco paralelo, reunindo ao menos 40 empresas utilizadas para ocultar a origem de recursos e fragmentar transações financeiras. A partir da quebra de sigilos bancários, foi identificada uma movimentação de cerca de R$ 39 bilhões, podendo ultrapassar R$ 45 bilhões com a inclusão de outras empresas ainda sob análise. Estima-se que o grupo tenha operado por anos, com um fluxo mensal próximo de R$ 400 milhões.

Do total investigado, cerca de R$ 6,3 bilhões estariam diretamente ligados a fraudes contra o INSS. O restante das cifras, segundo as autoridades, pode ter origem em atividades ilícitas diversas, como adulteração de combustíveis, tráfico de entorpecentes, comércio ilegal de armas e crimes patrimoniais atribuídos a facções como o Primeiro Comando da Capital. Também há indícios de uso da estrutura para movimentar dinheiro oriundo de plataformas de apostas irregulares.

O relatório da CPMI aponta ainda que o grupo utilizava empresas de fachada para simular contratos e viabilizar repasses ilegais a agentes públicos e políticos, com depósitos realizados em contas de terceiros, conhecidos como “laranjas”, ou de pessoas próximas aos beneficiários.

Outro ponto destacado é o uso de criptoativos para dificultar o rastreamento dos valores. Recursos de origem ilícita ou não declarados eram convertidos em moedas digitais, como o Bitcoin, ampliando a complexidade das investigações.

De acordo com o documento, que não chegou a ser aprovado, o esquema operava por meio da chamada “anonimização de pagamentos”, mecanismo que dificultava a identificação dos destinatários finais. O texto também menciona a existência de apoio político, citando gestores públicos e agentes que teriam dado sustentação à engrenagem.

Apesar dos avanços, investigadores reconhecem que a dimensão da rede pode ser ainda maior, já que nem todos os envolvidos foram identificados. As apurações sobre possíveis beneficiários no meio político seguem limitadas, especialmente após o Supremo Tribunal Federal decidir não prorrogar os trabalhos da comissão.

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