Suzane von Richthofen voltou a se pronunciar publicamente, 24 anos após o assassinato dos pais, em um documentário que será lançado pela Netflix. Para obter o depoimento, a plataforma teria desembolsado cerca de R$ 500 mil para que ela apresentasse sua versão dos acontecimentos. De acordo com o colunista Gabriel Vaquer, do Outro Canal, o valor foi pago diretamente à condenada. Procurada, a Netflix afirmou em nota: “Não divulgamos detalhes das produções”.
Produções do gênero true crime seguem em alta no streaming, seja em formatos ficcionais ou documentais. Nesses casos, é comum que volte à tona o debate sobre a possibilidade de criminosos receberem remuneração por suas histórias serem retratadas. Em entrevista ao Metrópoles, Leonardo Aquino, professor de direito do Centro Universitário de Brasília, explicou que apenas situações que vão além do que já consta nos autos podem gerar obrigação de indenizar.
“Só haverá o direito de indenizar se aquilo extrapolar as situações dentro do processo que foi retratado. Vamos imaginar uma situação hipotética: se usa uma fotografia de uma pessoa retratada que não foi adquirida nos autos, que foi obtida por outros meios que não os previstos nos autos do processo, sem a devida identificação de onde foi retirada. [Nesse caso,] é possível ter uma indenização.”
A advogada Erika Lenehr acrescenta que é necessário equilibrar dois direitos fundamentais: liberdade de expressão e proteção da personalidade.
“A lei não vai proibir, a gente vai utilizar a liberdade de expressão e de criação dentro daqueles parâmetros, desde que você não adentre à vida privada e à intimidade daquela pessoa que cometeu o crime. Isso (ferir a intimidade e vida privada) normalmente acontece quando a pessoa faz julgamentos ou suposições do que a pessoa poderia estar pensando porque agiu daquela forma”, explica.
Após a repercussão da série Tremembé, Suzane decidiu voltar a abordar o passado, incluindo o assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen. Ela participou de entrevistas para um novo documentário da Netflix sobre o caso, que resultou em sua condenação a 39 anos de prisão.
O filme ainda não tem data de estreia definida e foi revelado pelo jornalista Ullisses Campbell, na coluna True Crime. Segundo ele, Suzane aceitou recontar sua trajetória, desde a infância até o crime, apresentando sua visão sobre a relação familiar.
No relato, ela descreve o ambiente em casa como frio e marcado por cobranças, especialmente por parte do pai. “Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando”.
Ela também afirma ter presenciado uma agressão do pai contra a mãe. “Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, relembrou.
No documentário, Suzane comenta ainda o relacionamento com Daniel e Christian Cravinhos. Ela nega participação no planejamento do crime, mas admite responsabilidade: “A culpa é minha. Claro que é minha”.
A produção também aborda a vida atual da condenada, incluindo o relacionamento com o marido, Felipe Muniz, e a rotina com o filho.
Leandro Soares
Ver todos os comentários | 0 |