A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve decidir nesta quarta-feira (13) se mantém a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de produtos da marca Ypê. O julgamento será realizado pela Diretoria Colegiada da agência, em Brasília, a partir das 14h.
A decisão envolve um recurso apresentado pela Química Amparo, empresa responsável pela marca, contra a Resolução nº 1.834/2026, publicada no último dia 5 de maio.
A medida determinou a suspensão e o recolhimento de lotes de detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes com numeração final 1.
Ypês infectados
Segundo a Anvisa, a decisão foi tomada após uma avaliação técnica de risco sanitário realizada em conjunto com órgãos de vigilância sanitária de São Paulo e do município de Amparo, onde fica a fábrica da empresa.
Durante a inspeção, foram identificadas falhas em etapas consideradas críticas do processo produtivo, incluindo problemas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
De acordo com a agência, os problemas encontrados podem comprometer as chamadas Boas Práticas de Fabricação e gerar risco de contaminação microbiológica nos produtos.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa já havia sido identificada pela própria fabricante em lotes de lava-roupas em novembro de 2025. O microrganismo é comum em ambientes úmidos, como água e solo.
Apesar disso, especialistas afirmam que o risco para a maior parte da população é considerado baixo.
Recurso
Após a publicação da resolução, a Ypê apresentou recurso administrativo com pedido de efeito suspensivo, o que interrompe temporariamente as determinações da Anvisa até a decisão final da Diretoria Colegiada.
Em nota enviada à imprensa, a empresa afirmou que as imagens divulgadas da inspeção sanitária mostram áreas sem contato direto com os produtos comercializados. A fabricante também declarou que a fiscalização não encontrou contaminação nos itens vendidos ao consumidor.
O relatório da inspeção, no entanto, aponta sinais de corrosão em equipamentos utilizados na produção, falhas na conservação de tanques industriais e armazenamento inadequado de resíduos próximos às linhas de envase.
*Com colaboração de Isaac da Silva
Davi Fernandes
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